Só falta Messi

Só falta Messi

O Record publicou ontem um interessante trabalho em torno de uma biografia autorizada por Jorge Mendes. O agente de Ronaldo é hoje o mais poderoso fautor de transferências na Europa. Mesmo que a versão dos factos seja apenas a oficial, patrocinada pelo próprio, cada palavra é merecida no dia em que estamos.

Jorge Mendes domina a Seleção Nacional, o Real Madrid, o Monaco, o Valencia. Se o futebol fosse uma atividade transparente, Mendes teria de prescindir de algum do seu poder, por claros conflitos de interesses.

PUB

Quando leio estas odes a Jorge Mendes, remexo a memória e surge uma inquietação: que raro talento teremos nós, portugueses, para esta atividade tão especial de compra e venda de jogadores? Desde os anos 80 - e a profissão não tem muitas décadas mais -, Portugal sempre teve empresários de topo. Primeiro foi Manuel Barbosa e Lucídio Ribeiro; Barbosa com domínio no mercado brasileiro, entrada no Benfica e transferências milionárias para a Europa rica, principalmente através do Marselha de Bernard Tapie. Já Lucídio apostava no mercado africano, com grandes transferências também para França, e domínio de direitos televisivos interessantes, desde Marrocos à África subsariana.



Depois apareceu José Veiga, que foi o Jorge Mendes da geração de Luís Figo. Por Veiga circularam milhões e milhões em grandes transferências nos mercados espanhol e italiano. 
Agora o reinado é de Jorge Mendes, que já refere James mesmo em homenagens a Ronaldo. Pela sua idade e inteligência, Jorge Mendes tem ainda décadas de atividade empresarial pela frente. A não ser que algo de surpreendente aconteça. No plano positivo, o evento bem pode ser um inesperado salto para o dirigismo. Quando Ronaldo acabar e Mendes se cansar da sua vida nómada.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB