E de repente, o Sporting encanta. O público aplaude, as bancadas enchem, os comentadores elogiam, as bestas passam a bestiais. Provou-se o aforismo de Ronaldo, que um dia disse que os golos são como o “ketchup”: quando começa a sair, não pára.
Para curar uma crise de futebol, não há melhor do que um 6-1 (exceto, talvez, um 7-1…). Domingos ganhou fôlego e Godinho ficou finalmente com a cara destrancada. Mas mais importante do que tudo: só assim o Sporting pode inverter a decadência desportiva, que tanto é causa como consequência do declínio financeiro que pode aniquilar a grandeza do clube. Não é menos do que isso que está em causa, como aqui tenho escrito. A situação financeira do Sporting é alarmante, só vitórias desportivas levarão a mais receitas de bilheteira, a aspirações europeias e a jogadores valorizados.
Mas o que mudou? Mudou a sorte, claro. Mas mudou sobretudo a qualidade e a consistência de uma equipa que começara o campeonato à procura de si mesma. A entrada de jogadores como Elias, Capel, Insúa, Van Wolfswinkel, Schaars e Rinaudo, a par das saídas dos “intocáveis” Djaló ou Postiga, mudaram radicalmente a eficácia e a construção de jogo do Sporting. E embora a equipa seja uma manta de retalhos heterogénea, em experiência, estilos e nacionalidades, o que curiosamente a compara à última equipa do Sporting campeã, o nível de qualidade deu um salto qualitativo.
Foi já tarde que os adeptos do Sporting começaram a gritar “golo!”, mas é ainda cedo para gritar “vitória!”. A qualidade das equipas do Porto e do Benfica é fortíssima. E apesar da série de jogos ganhos, o Sporting ainda não passou por um teste definitivo, que passará quando jogar com o Benfica. Mas numa coisa já está toda a gente a ganhar: na qualidade do campeonato.