Sporting suicida

Sporting suicida

A saída de Domingos é mais do que um despedimento, é a despedida de um projeto do Sporting, que devia ter aprendido por esta altura que já não tem tempo para ter pressa. Na trituradora de treinadores, a carne para canhão é o próprio clube. E é Godinho Lopes que fracassa em menos de um ano.

É fácil gostar de Domingos, pela sua humildade e abnegada capacidade de trabalho, mesmo que abaixo do Mondego ninguém possa saber o que é sentir as alegrias que ele deu a adeptos do Porto, Braga ou Académica. Clubes que, aliás, ficaram bem depois dele, o que mostra que um bom treinador deixa equipa feita – e que uma equipa não se faz só do treinador passageiro, mas muito dos dirigentes que permanecem.

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Se um clube tem 36 treinadores em 30 anos, o mal está no clube. E Domingos, que foi a contratação do ano do Sporting, foi embora cedo de mais. Mesmo que ele seja vítima de uma orquestração em que ele próprio participou, quando deixou que a sua contratação fosse trunfo na candidatura de Godinho Lopes. E é também por isso que a demissão de Domingos é em si mesma a queda de um projeto, que inclui Godinho Lopes, Luís Duque (e Carlos Freitas), que foi eleito em 2011 com, é preciso não esquecer, a votação de menor número de sócios do que os que votaram em Bruno de Carvalho. Só se Sá Pinto for milagreiro conseguirá inverter o rumo. Para já, o Sporting perdeu um grande treinador dos juniores sem garantir um bom treinador dos seniores.

A demissão de Carlos Barbosa, a saída de Domingos, o medo à Juve Leo são ingredientes de um presidente fraco e enfraquecido. Bruno de Carvalho assiste ao declínio de Godinho Lopes, que fez a Domingos o que lhe farão a si: inclemência, impaciência e um final antes do tempo. O exemplo veio de cima, amedrontado com que o vinha de baixo.

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