Sucessos e deslizes das Selecções

Quando se está no estrangeiro não paramos de nos lembrar que somos portugueses. Comparamos os hábitos alimentares (quase sempre com vantagem para a nossa terra) ou os salários (o que nos provoca dissabores evidentes); o clima ou a simpatia dos povos, mas raro é o dia em que “ignoramos” pertencer a um pequeno País à beira-mar plantado.

É fora de portas também que a maioria sente algo de especial quando, ao vivo ou via tv, vê em acção as selecções nacionais. Ter orgulho na nossa gente é algo que me enche de satisfação. A mim e a muitos como eu que, independentemente das questiúnculas que nos irritam no dia-a-dia, jamais equacionaríamos trocar de nacionalidade.

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Quando saí de Portugal para acompanhar a Selecção de basquetebol no Europeu, acreditava poder assistir a um feito importante: a qualificação para a segunda fase da prova. Marcar presença entre os 16 melhores do Continente já era, por si só, um marco a assinalar, mas pensar em ganhar um jogo, garantir a disputa mínima de 6 partidas e assegurar um posto nos 12 primeiros era, só de pensar, sensacional.

Com alguma sorte à mistura, Portugal não só cumpriu os objectivos delineados como, imagine-se, entrou no último dia da segunda fase a pensar nos quartos-de-final. De repente, não só os jornalistas gregos, mas também a impensa espanhola – que tão mazinha tinha sido para os jogadores lusos – equacionavam a possibilidade da actual campeã continental e “vice” mundial poder perder com a Selecção dos “desconhecidos”.

Não faço ideia do que irá acontecer logo, mas já nada poderá apagar os bons momentos que a rapaziada comandada por Valentyn Melnychuk me proporcionou nos últimos dias. A mim e, repito, a todos os que gostam de ser portugueses, que vibram com os feitos da nossa gente.

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Mesmo à distância, também não deixei de acompanhar com satisfação a estreia da equipa de râguebi no Mundial. Com enorme espírito de sacrifício foi possível evitar o aguardado massacre diante da Escócia. E até o ensaiozinho tão desejado apareceu para motivar um grupo que, para além de superiormente dirigido, luta sempre até à última pinga de suor, como se a sua vida dos atletas dependesse de uma só jogada.

Alertado por várias pessoas fui à procura das imagens do 15 nacional a entoar os acordes do hino antes da partida com os britânicos. Fiquei de boca aberta. Sei que muitos, por esta ou aquele razão, dispensam tais demonstrações de patriotismo mas, sinceramente, ainda me arrepiei mais do que é costume quando oiço a Portuguesa. Foi inacreditável e, para mim, este é um registo que não se pode perder. Para memória futura, digo eu...

Só tenho pena é que, por vezes, outras equipas, com outras responsabilidades, pareçam esquecer o que é representar a Selecção. Quando se tem talento suficiente para ganhar, custa perceber as razões que levam um conjunto claramente superior a deslizar face a formações de nível inferior. Sempre o disse e mantenho: quando se publicita que empatar não é um mau resultado... mais vezes se deixa de ganhar. E foi por causa disso que recentemente, em Madrid, cerca de 30 pessoas tiveram um jantar desagradável.

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