Aconversa foi lançada pelo presidente do Sporting, que até tinha razões de queixa quanto a arbitragens. Fez dos árbitros as figuras centrais do futebol. Olegário Benquerença é isto, Pedro Proença aquilo, uns servem, outros não servem, ameaças de processos, patati patatá, Vieira é que sabe, Pinto da Costa é que sabia, Bruno parece querer saber. E estamos nisto. O sistema.
O sistema existe, não é uma alucinação de quem não ganha. E o Porto ganhou aos clubes de Lisboa durante anos na forma como o sistema distribui poder. Mas as coisas estão a mudar. E talvez Bruno de Carvalho pressinta que essa mudança pode acontecer apenas para um dos lados da Segunda Circular: para a Luz, mas não para Alvalade. Por isso protesta. Posiciona-se.
O Sporting merece o segundo lugar, à frente do Porto, mas ganhou-lhe com um golo em fora-de-jogo. António Oliveira, maior acionista particular da SAD portista, descobriu um outro adversário: a banca. “É lógico que os credores querem que o Benfica e o Sporting terminem o campeonato à frente do FC Porto, porque terão mais a ganhar com isto”, afirmou esta semana ao “Expresso”. “Se não, como é que eles vão pagar a dívida?” Afinal o problema não é Olegário nem Proença, é Ricardo Salgado e Nuno Amado?... “Há aqui uma conjuntura favorável ao Benfica e ao Sporting, que formaram uma aliança para tentar destruir desportivamente o FC Porto”, concluiu Oliveira.
Estas declarações têm como pano de fundo as enormes mudanças que se vão verificando com o declínio do Porto, nomeadamente de Pinto da Costa. Nunca, em toda a era do presidente histórico do Porto, o clube esteve tão mal classificado nesta altura na Liga. E nunca cheirou tanto a sucessão. Uma sucessão que parece encaminhada para Antero Henrique. Em que personalidades como António Oliveira poderão ter peso. E em que o clube se pode emaranhar numa distribuição de influências que, no limite, podem prejudicar o Porto, favorecendo os clubes de Lisboa. O maior inimigo do Porto pode ser criado dentro do próprio Porto.