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Os clubes portugueses continuam a viver acima das suas possibilidades. Episódios como o pré-aviso de greve dos jogadores do Olhanense, entretanto retirado, têm de ser precavidos e isso só se conseguirá com um maior controlo imposto pela Liga de Clubes e uma forte penalização, com perda de pontos, para os prevaricadores. Há que evitar a concorrência desleal a que temos assistido com este tipo de práticas.
Na época passada verificou-se que um clube cumpridor como o Feirense, com as suas contas e obrigações em dia, acabou relegado desportivamente para a Segunda Liga, ficando atrás de clubes que, como foi público na altura, tinham vários meses de salários em atraso. Tudo porque as regras de supervisão do futebol português são ineficazes e acabam por beneficiar os pecadores em detrimento dos justos.
Os clubes deviam ser obrigados a provar todos os meses, perante a Liga ou até a FPF, o pagamento regular dos salários. Para aqueles que estivessem com dois ou mais meses de salários por liquidar, as regras deveriam duras e exemplares, tal como se preza numa competição que se diz profissional e que valorize a dignidade dos seus atores. Só a perda de pontos permitirá que se acabem com os abusos a que temos assistido.
O nosso país vive dias difíceis e o futebol não fica indiferente a isso. Porém, os orçamentos de cada clube são definidos no início de cada temporada e estes têm a obrigação de se gerir de acordo com o tamanho da sua bolsa. Caso contrário, com o incumprimento salarial acabam por gerar uma situação de concorrência desleal. Contratam atletas para os quais não têm possibilidade pagar o ordenado, tiram o lugar a equipas cumpridoras da mesma dimensão e influenciam os resultados desportivos na discussão do título, no acesso aos lugares da Europa e na fuga à despromoção.
O Sindicato dos Jogadores tem feito um bom trabalho na denúncia destes casos. E só não o fará em mais ocasiões, porque tenta proteger os seus associados ao máximo e opta pelo entendimento entre todas as partes. Mas era bom que estes casos fossem mais denunciados, para que deixassem de acontecer com regularidade e se tomassem medidas concretas para a sua extinção.
É lamentável que o caso do Olhanense só tenha encontrado resolução na semana em que se realiza um jogo de grande exposição mediática, com grande importância na discussão do primeiro lugar. O dinheiro que faltava subitamente apareceu antes do jogo e acabam por se levantar suspeitas em relação à sua proveniência, desnecessárias numa fase crítica e decisiva da época.
É preciso coragem para tomar decisões. Os clubes só podem atuar nas ligas profissionais se tiverem condições para isso. Quem não tiver, por muito que custe, terá de jogar num escalão mais baixo. Só assim se promoverá uma sã competição e financeiramente sustentável, para que não se repitam casos como os de E. Amadora, U. Leiria, Salgueiros, Farense ou Campomaiorense, entre muitos outros.
Mas reconheça-se o trabalho de muitos dirigentes. Hoje em dia, gerir um clube de pequena ou média dimensão nas ligas profissionais portuguesas é muito difícil. As despesas são muitas e as receitas quase nenhumas. A principal fonte de rendimento, que vem dos direitos de transmissão televisiva, não chega para os custos, sendo que esse bolo fica quase todo nas mãos de 3/4 clubes. Também aqui há trabalho por fazer. É preciso diminuir o fosso das receitas televisivas entre grandes e pequenos.
O Craque – Coração de dragão
O futebol é hoje um negócio e começam a ser raros os jogadores que entram em campo com amor à camisola. Castro ainda não se afirmou no FC Porto, mas sempre joga, apresenta uma alegria, raça e vontade únicas. São elementos como ele, que são trabalhadores e vivem o clube com intensidade, que ajudam a transmitir no balneário a mística vencedora. Faltam jogadores assim nos três grandes. Médio raçudo e pressionante, com qualidade de passe e remate fácil, Castro merece mais oportunidades para brilhar.
A Jogada - Os campeões do Restelo
Três anos depois, o Belenenses está de regresso à Primeira Liga, um lugar merecido para este histórico do futebol português. O clube atravessou a pior fase da sua história e soube aprender com os erros do passado, no que respeita à gestão desportiva e financeira. Esta época juntou os ingredientes certos: equilíbrio orçamental, treinador de qualidade, contratações cirúrgicas em divisões inferiores e aposta na formação e no jogador português. Um exemplo para outros clubes e uma promessa de uma boa base competitiva para o próximo ano.
A Dúvida - Tema quente para breve
Outro emblema histórico do futebol nacional, o Boavista, também pode vir a ser reintegrado na Primeira Liga, o que implicará uma alteração dos quadros competitivos com o alargamento do campeonato para 18 equipas. O tema promete agitar o futebol português nos próximos tempos. A confirmar-se esta situação, terá o Boavista condições para preparar o seu regresso? Será um trabalho em contra relógio para escolher treinador, plantel e patrocinadores. Conseguirá reunir uma equipa competitiva? E como reagirão os outros clubes ao alargamento?