Sem mostrar muito futebol e com alguma sorte à mistura, a verdade é que os grandes lograram assegurar a qualificação para as meias-finais da Taça de Portugal, o que equivale a dizer que, garantidamente, vamos ter um clássico na fase seguinte e, pelo menos, um dos três emblemas mais cotados do País na festa do Jamor.
Numa época em que o Campeonato há muito só tem interesse relativo (primeiro e último assumiram as suas posições logo no arranque da prova) e a jovem Taça da Liga foi encarada com desdém por praticamente todos os emblemas da Liga principal (o Sporting chegou à final mas esteve a milímetros de ser afastado por Guimarães e Fátima), é bom constatar que a Taça de Portugal tem todas as condições para animar uma indústria que, efectivamente, já conheceu melhores dias.
É justo recordar que as recentes assistências no Dragão, Luz e Alvalade deviam fazer corar de vergonha os dirigentes que, à vez, julgam ser capazes de arrastar multidões para os estádios (apostando forte em milagrosos cartões de sócio), mas acredito que o sortilégio da Taça pode dar uma ajudazinha.
E por falar em Taça, continuo a pensar que a modalidade ganhava alguma coisa se os principais clubes começassem a jogar mais cedo. As surpresas acontecem quase todos os anos e mesmo que os mais fortes consigam fazer valer o seu poderio, qual é o problema? Não vejo nenhum. Falar em festa do futebol é sinónimo de dar oportunidade aos pequenos para jogar com os grandes.
Se a Taça da Liga fosse disputada com a lógica inerente a uma competição profissional - valendo um posto europeu ao seu vencedor - talvez se justificasse manter a Taça de Portugal nos actuais moldes, mas enquanto só oferecer dinheiro, não estou vislumbro FC Porto, Benfica e Sporting a empenharem-se a sério na sua conquista. Assim, e tendo em conta que o Campeonato perdeu várias jornadas nos últimos anos, talvez aumentar o número de partidas da Taça de Portugal seja uma medida a equacionar.
PS - Rui Costa confirmou, agora em entrevista à Sport Tv, que o fim da carreira está para breve. Mais um problema bicudo para Luís Filipe Vieira resolver, pois como se viu diante do Moreirense, sem o "Maestro" pouca ou nenhuma "música" se ouve na Luz...