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Afinal da Champions League em Lisboa vai ser uma loucura. Talvez dentro de campo – certamente fora dele. Lisboa vai ficar coberta de vermelho e amarelo. Os hotéis apinhados de adeptos espanhóis. As estradas entupidas. E o estádio cheio. Tudo por preços exorbitantes.
Não é à toa que a Champions paga milhões de euros aos clubes – é porque os recebe também. Os jogos entre os melhores clubes da Europa valem fortunas em direitos televisivos, em patrocínios e em bilheteiras. Porque há milhões de adeptos a ver e a participar. Só isso justifica pagar preços para estar no próximo sábado no estádio da Luz que podem valer vários salários mínimos. Os bilhetes nas bancadas vão de 70 a 390 euros. Nos camarotes podem chegar quase aos 5.500 euros! Um valor que é suportado sobretudo por empresas, seja para os seus gestores, seja para oferecer aos seus melhores clientes. Pagar 80 mil euros por um camarote de 12 pessoas é quase um atentando ao pudor. Há um camarote na Luz enorme, para 21 pessoas, onde o preço total para o jogo de sábado é ligeiramente superior a 100 mil euros. Cem mil!
Fora do estádio, outra imensa economia se movimenta. Nos quartos dos hotéis, os preços sobem em flecha – de Lisboa até à fronteira. Há notícia de pilhas de pessoas a arrendar quartos por centenas de euros, quartos particulares sem condições adequadas e sem passar fatura... Esse é o outro lado da moeda. Cada euro que alguém gasta é um euro que alguém recebe. É por isso que o IPAM diz, num estudo divulgado ontem, que o impacto da final será de 46 milhões de euros para a cidade de Lisboa. São dormidas, refeições, deslocações, por aí fora.
Os dados estão lançados e, mais do que as receitas de um dia louco, é importante que tudo corra bem. Que a cidade suporte bem a enchente, que não haja problemas de segurança, que o jogo acabe bem e que ganhe o melhor. Há uma semana, em Turim, o jogo acabou desportivamente mal à equipa portuguesa mas em termos de organização foi sem espinhas. Que assim seja também este sábado.