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Em Leiria, o Benfica apostou num esquema com dois pontas de lança de início e... ganhou. É verdade que as águias não fizeram exibição brilhante e que a estrelinha da sorte - que faltou em embates anteriores – foi fulcral para a obtenção dos 3 pontos, mas o facto é que a equipa teve outra eficiência com Cardozo e Nuno Gomes lado a lado. Esta constatação parece pacífica para todos (benfiquistas ou não) os que assistiram ao duelo. Mas, como em tudo na vida, há quem não concorde com esta leitura. É normal. Anormal foi constatar que Camacho é uma dessas pessoas.
Mal a partida terminou, o treinador espanhol “passou-se” com as perguntas do repórter da TVI. Tudo porque, como seria de esperar, a conversa tinha de começar ou acabar em torno do novo modelo táctico adoptado que, pelos vistos, até funcionou. Camacho, agastadíssimo (até parecia ter perdido), desvalorizou o facto de Nuno Gomes ter realizado uma das melhores exibições dos últimos tempos, coroada com a obtenção de dois golos. Mais: reforçou a sua estranha ideia de que Di Maria é uma opção tão válida quanto o paraguaio para jogar como avançado. Está equivocado. Ou pior: engendrou uma resposta pouco convincente só para não ter de reconhecer que, efectivamente, a equipa fica mais perto de marcar – e consequentemente de ganhar – quando actua com dois verdadeiros avançados. Para mim, extremos e médios ofensivos são jogadores de características atacantes, mas não são avançados.
O espanhol tem razão quando faz questão de vincar que só ele tem a responsabilidade de escolher quem e como deve jogar. Mas, se não fosse tão teimoso, podia aceitar, sem “stress”, que a opção dos dois dianteiros, pelo menos em Leiria, deu resultado. Mas, dentro da linha de Scolari, optou por colocar tudo em causa e, claro, passar para cima dos jornalistas a paternidade da polémica. Esqueceu-se que a controvérsia só nasceu devido aos maus resultados da equipa e que foram os próprios adeptos do clube que, em vários locais (como aqui no Record Internet), se mostraram favoráveis à utilização simultânea de Cardozo e Nuno Gomes. E, convenhamos, se a opção era assim tão ilógica, porque raio resolveu utilizá-la? Só para ficar imune às críticas caso as coisas dessem para o torto?
Sempre considerei que Camacho, sem ter um currículo vistoso enquanto treinador, reúne as condições necessárias para comandar com propriedade um grupo que se pretende vencedor. Mas, o ser frontal e ter fortes convicções não deve ser confundido com teimosia.
PS – O FC Porto não cede terreno. Com prestações q.b., os dragões vão mantendo a senda vencedora. Imagine-se se a equipa resolve começar a jogar de forma convincente...
PS 1 – Paulo Bento meteu os “pés pelas mãos” quando confrontado com a falta que esteve na origem do primeiro golo do Sporting contra o Guimarães. A tese de que a sua equipa ainda tem crédito junto dos árbitros devido a eventuais erros anteriores (em prejuízo dos leões) não fica bem a quem, uma semana antes, garantiu que a arbitragem estava nas ruas da amargura. Querer menos erros é legítimo, mas compensações não.