A decisão de anular a edição de 2008 do Dakar não me surpreende. Surpresa, para mim, é constatar que, só agora, tantos anos depois da questão da segurança ter sido levantada com propriedade, tenha acontecido algo do género. Eu sei que os amantes deste tipo de competições não concordam comigo, mas já há alguns anos que avançar com uma comitiva de cerca de 4 mil pessoas para uma zona do globo onde a instabilidade é constante... não lembra a ninguém.
Depois de ter tido conhecimento da decisão, vi na televisão um dos elementos da organização a prometer que, no próximo ano, a prova estará de regresso. Apreciei o discurso optimista e decidido do senhor mas, mas mesmo não sendo dado a exercícios de futurologia, duvido que a previsão bata certo. A lógica diz-nos que, o mais provável, é ver os aliados da Al-Qaeda na região a avançar com o mesmo tipo de ameaças. Se funcionou uma vez, porque não há-de funcionar sempre?
É evidente que a organização, no futuro, pode ignorar as ameaças e iniciar a prova mas, naturalmente, quem é que se irá responsabilizar se algo correr mal? Conhecem alguém que aceite fazer seguros com essa conjuntura? Eu não!
Mas, vamos até acreditar que, contra ventos e marés, o rali avança mesmo. Bastará um qualquer incidente (uma explosão mesmo sem provocar mortes) para tudo parar horas depois.
Assim, acredito que a maior prova mundial de todo-o-terreno tem os seus dias contados. Pelo menos se a ideia continuar a ser atravessar vários países problemáticos de África (ouvi alguém dizer que a nação mais tranquila é a Líbia, o que equivale a dizer que o resto deve ser... de fugir). O mais sensato, provavelmente, é começar a equacionar um rali mediático noutra zona do globo.
PS - A Manuel Fernandes só faltava passar uma noite na prisão. Eu que sempre vi nele um futebolista acima da média, começo a duvidar se, algum dia, vai ultrapassar a mediania. O potencial está lá, mas que falta alguma coisa... não restam dúvidas. Já Miguel, que se gaba de sair à noite, fumar e ainda correr como poucos, também devia deixar de arriscar tanto. É que, às vezes, quando menos se espera, a corda parte. E depois começam a chover problemas...