Tirar coelhos da cartola

Tirar coelhos da cartola

Por força da sua qualidade individual e capacidade de criar desequilíbrios, há jogadores que se tornam vitais para o sucesso de uma equipa que pretende conquistar títulos. Por vezes, quando os jogos estão mais complicados, cabe a estes atletas a tarefa de desbloquear a situação e levar o seu emblema à vitória. Um jogo coletivo forte é uma premissa importante, mas ter um ou mais elementos desequilibradores no plantel (algo que lá fora se designa de “match winners”) pode ser uma ajuda preciosa para qualquer treinador.

Todas as grandes equipas têm o seu “match winner”. Cristiano Ronaldo e Messi são os exemplos maiores no Real Madrid e Barcelona, secundados depois por craques como Bale ou Neymar, entre outros. No passado, por exemplo, Deco e Hulk (FC Porto), Simão Sabrosa e Di María (Benfica) e Liedson (Sporting) assumiram essa condição nos grandes portugueses.

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O sucesso do Benfica no ano passado não está alheio a esta questão. Jogadores como Salvio, Gaitán, Markovic e Rodrigo, em determinados momentos, foram a linha-mestra das vitórias encarnadas, ao transformar momentos de inspiração individual em jogadas de golo, que valeram pontos e funcionaram igualmente como um tónico anímico que embalou a equipa para uma maior confiança e qualidade de jogo.

Neste defeso, o Benfica viu partir alguns dos seus elementos mais talentosos, mas ficaram Gaitán e Salvio, que, com Enzo Pérez, formam uma espinha dorsal de um meio-campo ofensivo capaz de causar estragos e muitas dores de cabeça aos adversários. E a eles junta-se também Anderson Talisca, um médio que Jorge Jesus está a moldar e que promete vir a ser uma peça importante nas águias, dado o seu faro de golo e inteligência no envolvimento no jogo ofensivo.

Lopetegui também se mostra plenamente consciente da importância de ter jogadores com capacidade de desequilíbrio no plantel portista. Ricardo Quaresma tem agora a companhia de nomes como Tello, Adrián López, Óliver Torres e… Brahimi, que, com toda a justiça, está a chamar todas as atenções e elogios para si por via do seu talento. A jogar no meio ou nas alas, fazendo uso de trocas posicionais e rápidas desmarcações, a velocidade e os dribles do argelino têm feito vítimas, e a marcação exímia de bolas paradas (há muito que os dragões não tinham um especialista) torna Brahimi um jogador imprescindível.

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De um ano para o outro, o maior elogio que se pode dar ao FC Porto é que deixou de ser uma equipa previsível. Hoje está apetrechado com mais recursos e conta com vários jogadores que, em caso de necessidade, podem fazer a diferença sozinhos. Deixo ainda uma palavra para Adrián López, um jogador que gerou desconfiança por não estar a render no início, mas que parece talhado para os grandes jogos. Inteligência tática, experiência, habilidade acima da média e boa finalização. Será importante nos grandes desafios que se avizinham.

No Sporting, e como se viu na quarta-feira, Nani está a assumir as responsabilidades de figura principal da equipa. A atravessar um notório crescimento de forma, o internacional português já começa a mostrar que pode regressar aos bons momentos que viveu no passado. Mais alegre, motivado e sem medo de partir para cima do adversário com as suas fintas curtas na procura da baliza. Por tudo o que fez no jogo contra o Maribor, não merecia aquele evitável golo sofrido nos descontos. Mas fica uma certeza: o Sporting tem agora mais recursos no ataque. Com Nani e Carrillo, passa a ter dois elementos capazes de tirar coelhos da cartola.

O CRAQUE

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Estreia muito prometedora

Golos, irreverência e espetáculo. Esta tem sido a ementa com que o jovem Bernard nos tem servido no arranque do campeonato. Com apenas 19 anos, o ganês do V. Guimarães é já a principal figura da equipa, capaz de entusiasmar as exigentes bancadas vimaranenses sempre que a bola vem ter consigo. Uma grande estreia na liga que está a surpreender pela positiva pela qualidade técnica, velocidade, capacidade de explosão e facilidade de remate. A continuar assim (4 golos em 4 jornadas), rapidamente se tornará um caso sério.

A JOGADA

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Um exemplo a seguir

Os clubes têm um papel social a desempenhar nas regiões em que estão inseridos que ultrapassa a mera vertente desportiva. Enquanto instituições de referência, é importante que promovam iniciativas que possam constituir mais-valias na sociedade onde estão inseridos. É por isso que o Colégio do Marítimo merece o meu aplauso, um estabelecimento de ensino que concilia a educação das crianças com a prática desportiva. Mais do que formar atletas ou ganhar ligação emocional com a população mais jovem, os clubes podem dar uma grande ajuda na formação dos cidadãos do futuro.

A DÚVIDA

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Futre e o mercado asiático

Os jogos do Boavista em casa vão passar a ser transmitidos na China, o país com a maior população do Mundo. Uma boa notícia para os axadrezados, que assim abrem portas num mercado enorme, com uma economia em crescimento e onde existem vários investidores desejosos de apostar na Europa. A contratação do jovem Wei Shiao, internacional sub-19 chinês, acabou por dar frutos desportivos e… financeiros ao Boavista. E o mesmo fenómeno poderá acontecer com o japonês Tanaka no Sporting. Será que o tempo acabou por dar razão a Paulo Futre?

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