Todo um hino ao sacrifício

1. O nome começa por fazer sentido - é franzino, sereno, envergonhado até -, mas termina enquadrado pela ironia. Quando o árbitro apita e o jogo começa, Petit transforma-se no gigante de presença esmagadora, que assume o combate como um soldado de elite e tem o desplante de se propor fazer a maratona em sucessivas séries de 100 e 200 metros.

Mãe natureza não lhe deu habilidade mas compensou-o com dotes físicos excepcionais, razão pela qual é, na sua essência mais pura, um produto do trabalho: durante hora e meia vai atrás e à frente; corre à esquerda e à direita; tapa buracos em todo o campo e até já lhe aconteceu, como em Trondheim, ser apoio do homem mais avançado, só para atrasar as intenções norueguesas sempre que o Benfica encetava alguma excursão esporádica ao meio campo do Rosenborg.

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2. Nunca se rende e não conhece o significado de cansaço, desânimo e egoísmo; onde não chega com técnica, vai por insistência; quando lhe falta precisão no gesto ou no movimento, reconhece automaticamente o erro e trata ele próprio de o rectificar; se o seu futebol carece de pompa e magia, sobram-lhe espírito solidário na entrega e eficácia nos despiques individuais - é um jogador de verdade, com processos simples, que rejeita o adorno e a superficialidade.

A participação excessiva não ofende a inteligência, porque é feita de soluções decentes em todas as zonas do terreno, qualquer que seja a situação em que se encontre. Em nome da memória dos tempos difíceis de menino, alimentou o sonho de ser alguém na vida. É essa luta, ganha todos os dias, que o torna um eloquente hino ao sacrifício.

3. Se é verdade que uma equipa depende mais de ordem e menos do conta-quilómetros para recuperar a bola; se depois precisa mais de técnica e menos de intenções generosas para alimentar o processo criativo, Petit é irreverente com a história da posição que ocupa.

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Distribui com critério, aproxima-se bem da baliza mas não possui a geometria de um Paulo Sousa; não proporciona o equilíbrio estrutural que Costinha oferece ao FC Porto e Custódio dá ao Sporting; e falta-lhe também a segurança processual de Paulo Bento, que vai, vem e nunca perde posição.

Porque descobre sempre situações às quais acudir, Petit é um pólo de empolgamento para os companheiros. Dele se dirá que não ganha jogos; façamos então toda a justiça: também há vitórias só possíveis com a sua presença em campo.

4. Sendo um jogador que, na azáfama do trabalho, deixa portas abertas em zonas problemáticas e invade terrenos já habitados, Petit configura um certo tipo de médios que Jorge Valdano define, depreciativamente, como aqueles que chapinham na água antes de pescar.

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Mas, mesmo quando corre em demasia, entra por caminhos em que não se sente à vontade e faz coisas que não domina totalmente, Petit exerce extraordinário efeito sobre os adeptos: desarma porque é incapaz de cometer uma traição à causa que defende; tranquiliza porque está comprometido de alma e coração com a camisola que enverga; conquista pela disponibilidade, que chega a ser comovente, de ir até ao fim do Mundo para ver a sua gente feliz. Por tudo isso, é muito difícil não gostar de um futebolista assim.

A fiabilidade da Alemanha

Se estão bem são campeões, se estão assim-assim vão às finais e é um sarilho batê-los. Os alemães constituem a mais fiável das selecções europeias, pelo que é um acontecimento detectar-lhes fraquezas.

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Desleixaram-se na renovação do grupo que terminou o prazo de validade no Euro'96 e levaram umas reguadas de Croácia (Mundial'98) e Portugal (Euro'2000). Em 2002 perderam para o Brasil e em 2004, para mal dos nossos pecados, estão aí, prontinhos para fazer estragos. Cuidado.

PASSE CURTO

O remédio ideal

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A vida de Tello no Sporting tem sido difícil: apresentado como craque, era só óptimo projecto de jogador; médio canhoto cheio de qualidades, veio rotulado de extremo. Em Aveiro assinou bela exibição e o clube logo renovou o contrato. Esquecer de vez a fortuna que custou é, de facto, o melhor remédio.

Pontapé na crise

Palatsi não tem sido tão preponderante como em épocas anteriores. Mas, no domingo, o guardião vimaranense deu pontapé na crise; fê-lo com tanta força que marcou um golo na baliza do rival Moreirense. E acedeu ao imaginário nacional. Inesquecível.

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Solidão interrompida

Alenitchev saiu, virou costas e foi tomar banho, indiferente ao destino dos companheiros. Dez minutos depois, a solidão da revolta foi interrompida com a festa a entrar-lhe pela cabina dentro. Esperemos que tenha gostado da surpresa.

Digno de príncipe

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O jogo do FC Porto em Manchester é daqueles momentos que só o tempo arrumará na memória colectiva. Numa perspectiva mais imediata, Old Trafford assistiu à confirmação de um dos melhores centrais europeus da actualidade: Ricardo Carvalho. No teatro dos sonhos, exibição digna de príncipe.

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