Há uma semana, aqui escrevi deplorando a (falta de) qualidade do jogo entre o Benfica e o FC Porto de há dez dias. Depois vê-se o Barcelona ganhar 3-0 ao Bayern e fica-se de barriga cheia. Mesmo que o jogo tivesse terminado aos 75 minutos, e acabasse empatado a zeros, teria sido um jogão. Não é justo comparar aquelas equipas com o Benfica e com o FC Porto? Pois não. Comparemos com o Tondela.
Foi há apenas três anos que o Tondela se estreou nos campeonatos profissionais, ao subir para a 2.ª Liga, quando era então treinado por Vítor Paneira. Agora com Quim Machado, o Tondela está a um passo (que até podia ter sido dado ontem) de subir à 1.ª Liga. Será um acontecimento histórico para o clube. Mas é mais do que isso. Porque estamos a falar de um pequeno clube, de uma terra relativamente pequena, que ascende mercê de um projeto continuado, feito com os pés na terra e os sonhos bem no céu. Não sei que segredos teve o presidente Gilberto Coimbra para o que fez, mas sei que sabe o que faz.
Um dos problemas que o Tondela enfrentará será a necessidade de ter um orçamento muito maior, sabendo-se que muitos clubes se desgraçaram precisamente por isso mesmo: por se terem endividado brutalmente. A forma como o financiamento dos clubes é feita em Portugal (basicamente, é cada um por si) não favorece os pequenos. Esperemos que o Tondela saiba gerir o seu sucesso. O paralelo com o Barcelona é irreal, claro, mas não num aspeto: só clubes com projetos muito bem definidos a longo prazo conseguem singrar continuamente. Assim seja, Tondela!