Torre de Moncorvo

Torre de Moncorvo

A notícia tem dois dias e pouco eco: um clube de futebol de Bragança, o Torre de Moncorvo, abdicou da subida de divisão por falta de dinheiro. É uma notícia triste. É uma lição de bom senso. Tomara termos tido ministros das Finanças como os sócios do Torre de Moncorvo.

Comparar esta decisão com o corte de orçamento do futebol do Benfica para a próxima temporada é quase chocante. O corte de 3% nos gastos do Benfica não é austeridade alguma, mas mera contenção.

PUB

O Torre de Moncorvo foi campeão distrital na AF Bragança, conquistou no campo o que perdeu na tesouraria: o direito de subir à 3.ª divisão de futebol. A decisão foi tomada pelos sócios, que devem ter votado com um nó na garganta. Mas mostram ao país, e a outros clubes de futebol que se endividam até à falência final, o que é ter pés e cabeça em vez de mais olhos que barriga.

O futebol está cheio de histórias de loucura despesista, com suspeita de comissões que deram lucros aos intermediários dos (maus) negócios. Quando, antes do Euro’2004, houve a febre de construir estádios, muitas câmaras candidataram-se. A Câmara de Viseu recusou o convite. Carlos Cruz, então porta-voz da candidatura, chamou o edil viseense Fernando Ruas de tacanho para baixo. Ruas explicava que não saberia o que fazer ao estádio depois do Euro, nem como pagar os seus custos de manutenção. Ruas estava certíssimo. Que o digam agora as câmaras municipais de Leiria, de Aveiro e de Faro, donas de um jardim zoológico de elefantes brancos, caros e insustentáveis.

É assim que, de onde menos de espera, às vezes vêm as luzes da lucidez. Como então de Viseu. Como agora de Bragança.

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB