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O Sport Clube União Torreense (“SCUT”; Torreense), o “Orgulho do Oeste”, voltará ao Jamor, 70 anos após a final de 56.
É um feito histórico e a demonstração de que apesar da mudança do futebol prazer para dever e da forçosa substituição de um futebol puro e de amor à camisola para um futebol indústria, como lamentaram os enormes escritores e apaixonados por futebol Eduardo Galeano e António Lobo Antunes, ainda é possível vivermos momentos em que a lógica é contestada pela imprevisibilidade.
Mas é também o corolário de uma profunda transformação poperada desde 2019 no Torreense. Nestes sete anos muito mudou. Em 2022 o Torreense foi campeão da Liga 3, assegurando o regresso, 24 anos depois, à 2ª Liga. Há um ano, a equipa sub23 foi campeã nacional. O futsal masculino disputa a 1ª Divisão. Nos séniores masculinos de futebol, para além do apuramento para a Final da Taça de Portugal, estamos na luta para regressar, 35 anos depois, ao 1ª escalão do futebol nacional. E no futebol feminino, a equipa sénior venceu as últimas três taças nacionais (de Portugal, no Jamor, a Supertaça, no Estoril, e mais recentemente em Viseu a Taça da Liga) e a equipa de futsal feminino encontra-se em 1.º lugar da 2ª Divisão, com a subida ao 1.º escalão como meta. É obra!
Estas vitórias não são fruto do acaso, antes resultam de um trabalho consistente e programado, com estratégia e profissionalismo, desenvolvido pelos dirigentes do clube e da SAD, a quem são devidos, assim como a todos os colaboradores nas variadas funções, um agradecimento e reconhecimento públicos. E porque é justo fazê-lo, é uma palavra particular é devida ao dr Nuno Carvalho, Presidente da SAD.
O apuramento para a Final da Taça de Portugal transporta-nos inevitavelmente para os grandes momentos da história centenária do Torreense. Na década de 50, além da final de 76 já referida, os à época denominados “milionários do oeste” militaram durante quatro épocas na 1ª Divisão. Na década seguinte, com jogadores maioritariamente formados no clube, o “ouro da casa, tivemos mais uma época na 1ª Divisão.
A última vez que o SCUT disputou a 1ª Divisão foi em 1991/1992. Absolutamente marcante para mim e para a minha geração. Nessa época assisti a todos os jogos em casa, no Campo Manuel Marques, com exceção precisamente de um: contra o nosso adversário da Final, o Sporting. Recordei-me desse jogo, que perdemos já próximo do final por 2-1, e que acompanhei colado à rádio, numa época em que nem um dos 34 jogos do Torreense foi transmitido pela televisão.
Lembrei-me ainda da vitória na Maia, já nos descontos, que nos levou em 91 a subir à 1ª Divisão. Como me veio à memória o jogo na Madeira, em 92, que nos fez voltar à 2ª Divisão. Não terei muito mais memórias exatas, em momento e espaço, com 8 anos de idade, como aquelas que o Torreense me proporcionou. E por isso estou para sempre grato.
Na final de 24 de maio, conscientes da diferença de orçamento dos plantéis, mas também de que, como disse Johan Cruyff "nunca vi um saco de dinheiro marcar um golo”, o Torreense contará com milhares a apoiar no Estádio e milhões a torcer em casa. A missão é quase impossível, mas no futebol não há vitórias antecipadas nem derrotas inevitáveis. E acreditamos que o SCUT pode fazer ainda mais história, confirmando que o Clube, Torres Vedras e o Oeste são, e merecem assim ser reconhecidos, de Primeira!