Tostões que valem milhões

Tostões que valem milhões

Contra todas as expectativas iniciais, o Sporting colidera a Liga portuguesa com todo o mérito. Com menos armas, desportivas e financeiras, que os rivais FC Porto e Benfica, os leões estão a surpreender pela positiva e a provar que podemos contar com eles para dar luta até ao fim. Mas mais do que isso, o clube está a rentabilizar muito bem os seus ativos.

Leonardo Jardim mostrou que foi a escolha certa para tirar o Sporting do marasmo que foi a época anterior. O técnico é um dos principais obreiros da excelente temporada que os sportinguistas estão a realizar e os resultados estão à vista: neste momento, a equipa leonina está com mais 15 pontos do que aqueles que tinha na época anterior por esta altura.

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Otrabalho do treinador do Sporting, até ao momento, merece todos os elogios. A começar pela gestão dos recursos à sua disposição. Escolheu reforços cirúrgicos, promoveu jovens valores da formação e afastou jogadores consagrados que não estavam a ter o rendimento desejado. Em termos táticos, o Sporting apareceu mais compacto, com cabeça, tronco e membros. Conhecendo as limitações da sua equipa, Jardim montou uma equipa solidária, que faz do coletivo a sua maior força. O que lhe falta em qualidade (e orçamento) é compensado por uma enorme entrega e vontade de um conjunto que quer ter a bola nos pés e chegar ao golo por diferentes vias.

Em paralelo, o técnico tem promovido o crescimento dos seus jogadores, hoje ativos muito mais valiosos no mercado, sabendo tirar o melhor dos seus atletas. Jefferson, William Carvalho, Adrien e Montero, por exemplo, têm tido grande evolução. E há miúdos da equipa B que vão espreitando a oportunidade.

Olhando para as idades médias dos onzes mais utilizados pelos três grandes, o Sporting é claramente a equipa mais jovem. Os 23,5 anos de idade média, em comparação com FC Porto (26) e Benfica (27,7) indicam que o potencial de crescimento do futebol leonino é imenso e que esta equipa, que neste momento está no topo da classificação, com maior traquejo, poderá vir a fazer muito mais.

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Enuma prova em que águias e dragões ainda não mostraram o seu melhor, este Sporting poderá ter uma palavra a dizer nas contas do título, mesmo tendo um orçamento 2/3 vezes inferior ao dos rivais. Ao serviço do Braga, em 2011/12, porventura com um orçamento mais baixo que o do Sporting, Leonardo Jardim provou que é possível comandar equipas de “tostões” com a ambição ao mais alto nível. No Sporting terá ainda mais condições para o fazer.

Com alguns reforços de qualidade em janeiro, capazes de trazer criatividade ao meio-campo ofensivo e segurança à defesa, o leão poderá ganhar pedigree para encarar a segunda volta do campeonato com maior confiança. E o Sporting pode tirar proveito do estatuto de outsider. A cobrança nunca será igual à que existe no Dragão e na Luz, e isso poderá ser vantajoso, tirando pressão e dando margem para “correr por fora”, reforçando a crença jogo a jogo. Foi assim que o Boavista conquistou o seu campeonato.

Em termos desportivos, o leão está no bom caminho. Financeiramente, existe igualmente um trabalho de recuperação que está em marcha e já começa a dar frutos. A direção de Bruno de Carvalho merece, por isso, o devido aplauso. Só não se compreende a postura de confronto, as declarações inflamadas e as respetivas parangonas nos jornais. Em função do bom trabalho que tem sido feito, o clube dispensa este tipo de afirmação. Mas é este clima de guerra que vai alimentando o futebol português...

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O CRAQUE
Revelação na briosa

O brasileiro Djavan Ferreira tem sido uma das interessantes revelações do nosso campeonato. Emprestado à Académica pelo Corinthians Alagoano, clube que já projetou vários jogadores canarinhos na Liga portuguesa (com Deco a ser o expoente máximo), este defesa-esquerdo, de 25 anos, tem estado em excelente plano. Impressiona pela força física e pela velocidade que impõe no corredor canhoto, dando muitas vezes apoio ao ataque da equipa, sem descurar a defesa. Para seguir com bastante atenção.

A JOGADA
A culpa de um e de outros

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Jorge Jesus é um treinador virtuoso, mas também tem defeitos. Como qualquer ser humano, diga-se. Fazer dele o único culpado do desastroso final da época passada do Benfica, onde todos os títulos se perderam em duas semanas, parece injusto e errado. Sem abordar a deselegância de algumas palavras, António Carraça, em entrevista ao Record, parece acreditar que os problemas surgiram apenas de questões técnicas. Quem viu equipa e staff encarnado a festejar na Madeira, com três jornadas por disputar, percebe que algo mais falhou.

A DÚVIDA
Portugueses são ódio de estimação de Platini

Sempre que pode, Michel Platini aproveita para destilar veneno sobre clubes ou jogadores portugueses. É cíclico. Quase doentio. O presidente da UEFA ainda deve guardar na memória as meias-finais do Euro’84, onde Portugal quase eliminou a sua França, e desde aí guardou um ódio de estimação. O presidente da UEFA não se inibe de fazer campanha pelo compatriota Ribéry para a eleição da Bola de Ouro. Agora insinuou que querem favorecer Ronaldo. E se falasse nas regras que mudaram a favor da França para o sorteio do Mundial’2014 que se realiza hoje?

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