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Numa espécie de manifesto antifascista dos tempos do PREC, o título desta crónica poderia ser o poder a quem trabalha. Esse foi um dos principais trunfos das equipas que seguiram em frente na Liga dos Campeões.
É que, à excepção do FC Porto, que justificou a etiqueta de favorito contra os franceses do Lyon, o facto mais determinante na eliminação dos poderosos AC Milan, Arsenal e Real Madrid foi a capacidade de trabalho dos seus adversários. Ela foi muito superior. Principalmente nos casos do Deportivo e do Monaco, que humilharam colossos milionários, sorridentes e confiantes após a primeira mão.
A verdade é que treinadores como José Mourinho e Didier Deschamps, férreos defensores do trabalho e da capacidade de sofrimento das suas equipas, começam a dar cartas na Europa. Não chega contratar estrelas multimilionárias e ter os melhores jogadores. É preciso fazê-los correr, obrigá-los a ter vontade de vencer. E aí tanto Carlos Queiroz como Ancelloti falharam. Tristes figuras fizeram...
Muitos parabéns aos dragões. São a grande razão do orgulho nacional nos tempos que correm, fazendo esquecer os pobres anúncios que o governo vai colocando nos jornais tentando mostrar a obra que ninguém vê. Os portistas fazem ao contrário. Primeiro a obra e só depois as faixas. Na caminhada europeia rumo à glória, Mourinho tem sido especialmente comedido, ainda ontem deixou largos elogios ao Lyon. O homem lá sabe.
Acredito que quem trabalha é recompensado. No futebol como na vida. É uma questão de tempo. O FC Porto é a prova disso.