Treinador dos pés de veludo

Treinador dos pés de veludo

Mais coisa menos coisa, a maior parte dos treinadores de futebol da 1.ª Liga são conhecidos da maioria dos adeptos. Talvez Miguel Leal seja o último classificado nesta tabela de mediatismo, mas isso não invalida que muita gente comece agora a olhar para o Moreirense como a verdadeira equipa sensação da primeira volta do campeonato. Promovida na última época, a equipa de Moreira de Cónegos é oitava classificada, com 24 pontos.

Estes números são suficientes para confirmarem a qualidade do trabalho de Miguel Leal, mas a forma de jogar do Moreirense mostra que nada é por acaso. Nesta temporada, só caiu no Dragão ao fim de 69 minutos; esteve em vantagem na Luz e só permitiu a reviravolta com 10 jogadores; e esteve a vencer em Alvalade até ao período de compensação. Mas o que mais impressionou nessas partidas foi ver uma equipa constituída por jogadores com tão pouca experiência de Liga a não recorrer sistematicamente ao pontapé para a frente, a quer ter a bola, a saber jogar. Na última quarta-feira, desta vez na Taça da Liga, foi novamente isso que se viu diante do Benfica. A equipa do concelho de Guimarães foi melhor na primeira parte e causaram problemas raros às águias. Aliás, foi apenas depois de Jorge Jesus ter reforçado o meio-campo com Samaris que o Benfica pegou nas amarras do encontro.

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O mérito de tão boa equipa só pode estar num treinador competente, realista e muito discreto. Aos 49 anos, Miguel Leal chegou relativamente tarde ao topo: apenas é treinador principal de uma equipa sénior profissional em “full-time” há três anos. E com resultados pouco menos do que fantásticos: subiu com o Penafiel à segunda época e está a fazer um magnífico campeonato no Moreirense. Antes disso, tinha andado na sombra, quer como adjunto de diversos técnicos ou ao comando de equipas jovens.

Contra Miguel Leal está a distância de Moreira de Cónegos aos grandes centros urbanos, que lhe dá menos tempo nos jornais e nas televisões. O próprio técnico não tem frases bombásticas, nem comportamentos que façam dele notícia diariamente. Mas lá vai fazendo o seu caminho, provando que a competência não tem idade nem local. Miguel Leal ainda tem muito tempo para chegar longe.

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