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Numa semana com novas "chicotadas psicológicas" na liga, também o futuro dos treinadores dos 3 grandes começa a ser discutido pelos adeptos. Os resultados desportivos serão bons conselheiros sobre o futuro, mas o trajeto percorrido até aqui também nos dá algumas indicações.
A continuidade de Jorge Jesus no Benfica é um enigma. Diz-se que uma eventual renovação só acontecerá se o Benfica vencer o bicampeonato. Em matéria de competência, Jesus já provou o seu valor. Deu outra dimensão ao futebol encarnado, rentabilizou ativos e trouxe títulos. A dúvida residirá na vontade, ou não, do treinador querer provar o seu valor lá fora. Este compasso de espera, do Benfica e de Jorge Jesus, pode muito bem ter a ver com isso. E ao mesmo tempo que o clube tenta perceber se existe um encontro de vontades para prolongar o casamento, alicerçando a decisão após a conquista de títulos, o treinador aguarda por um eventual convite atraente. Parece sensato que tudo se resolva no final da temporada.
No FC Porto, os resultados desportivos determinam por norma o futuro do treinador. Mas esta época há variáveis a considerar na análise ao trabalho de Julen Lopetegui. Por um lado, o treinador espanhol recebeu uma equipa jovem, com 17 jogadores novos e que precisou de tempo para confirmar o seu potencial. E há a questão financeira que, com a boa campanha na Liga dos Campeões, superou as expectativas iniciais. Mais adaptado ao futebol português e à própria cultura do clube, Lopetegui tem mostrado uma boa capacidade de evolução. Além disso, um rácio de 75% de vitórias nos jogos disputados exibe números ao nível das melhores equipas do FC Porto. Com ou sem títulos, estou em crer que Lopetegui terá uma segunda oportunidade na próxima época.
Quanto a Marco Silva, com a qualificação para o playoff da Liga dos Campeões e a presença na final da Taça de Portugal bem encaminhadas, e face à falta de argumentos no plantel para competir com águias e dragões, o seu trabalho é positivo. Só resta saber se os diferendos entre presidente e treinador estão definitivamente encerrados. Há quem aponte o divórcio como inevitável, no entanto, não me parece que a decisão seja tão linear. Na sua maioria, os adeptos sportinguistas estão contentes com Marco Silva e esse facto pode pesar.
Totalmente inexplicável foi a saída de Lito Vidigal do Belenenses. Na época passada salvou a equipa de uma descida quase inevitável e este ano estava a fazer um campeonato tranquilo com possibilidades de apuramento europeu. E no momento em que surge o substituto (Jorge Simão), já se fala na chegada de Sá Pinto para o próximo ano. A SAD belenense não fica bem na fotografia. Uma situação estranha num clube que ainda vai receber Benfica e FC Porto no Restelo e pode ter uma palavra a dizer na decisão da liga.
De saudar o regresso de Carlos Brito ao ativo. Um treinador competente, que já não orientava uma equipa desde 2012. Terá uma missão complicada a tentar salvar o Penafiel da descida, mas este não seria o seu primeiro "milagre". E realce para os bons arranques de José Viterbo e Bruno Ribeiro na Académica e no Vitória de Setúbal, respetivamente, mostrando que o amor à camisola pode ter efeitos benéficos numa equipa.
Por fim, ficaremos em breve a saber se o TAS vai reduzir ou não o castigo de 8 jogos aplicado a Fernando Santos. Todos esperamos uma boa notícia e é importante que a situação do selecionador fique esclarecida para que a Seleção se possa preparar da melhor maneira para o Euro’2016.
O Craque – A afirmação de Aderlan
Pode dar pouco nas vistas, mas está certamente no top 5 dos melhores centrais a atuar em Portugal. Aderlan Santos entrou em Braga pela equipa B e foi progredindo até se tornar titular indiscutível. É uma peça essencial da solidez defensiva que os bracarenses têm exibido (apenas 17 golos sofridos). É um jogador alto, que limpa bem o jogo pelo ar e cria muito perigo nas balizas contrárias em lances de bola parada (4 golos esta época). Um ativo bem lapidado que António Salvador poderá rentabilizar no futuro.
A Jogada – O adversário do dragão
O FC Porto fica a conhecer hoje o adversário que vai defrontar nos quartos de final da Liga dos Campeões. Podemos pensar que existe uma ou outra equipa mais acessível, mas esse exercício de pouco vale quando se chega a esta fase da prova, onde estão as 8 melhores equipas da Europa. Qualquer uma será um obstáculo difícil superar e não há vencedores antecipados. As coisas decidem-se dentro de campo. Com ambição, atitude e espírito de sacrifício, como já vimos os dragões fazerem esta época, há sempre possibilidades de sonhar mais alto.
A Dúvida – A estreia de Ewerton
Denotando ainda falta de ritmo e forma, por força do enorme tempo de paragem que atravessou, a estreia de Ewerton pelo Sporting teve indicadores bastante positivos. No início da partida com o Marítimo, o central brasileiro sentiu algumas dificuldades de entrosamento na equipa, mas assim que afinou agulhas tornou-se imperial. Muito forte no jogo aéreo, eficaz na marcação e inteligente na antecipação, mostrou bom entendimento com Paulo Oliveira e qualidades para ser o patrão da defesa leonina. Estará encontrada a dupla de centrais do Sporting para a próxima época?