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Paulo Bento sabe que entra hoje numa espécie de jogo do "tudo ou nada". Ao selecionador português, e aos seus jogadores, não resta outra opção: têm de ganhar à Rússia, e todas as outras partidas que faltam, para continuarem a depender apenas de si na luta por um lugar no playoff de acesso ao Mundial de 2014.
O nível de exigência deste jogo parece totalmente transmitido pela estrutura federativa e foi compreendido pelos jogadores nacionais. Isso não terá acontecido no passado. Em jogos anteriores, o aliviar da pressão, compreensivelmente utilizado de forma estratégica na tentativa de não prejudicar o rendimento dos atletas, acabou por não resultar. Por isso, é crucial que os jogadores tenham a perfeita noção da importância do jogo de logo à noite.
Responsabilidade é o que se pede aos jogadores portugueses. Que joguem aquilo que sabem, como uma verdadeira equipa (e não cada um por si) e motivados pelo ambiente fantástico criado pelo público da Luz, proporcionando todas as condições para entusiasmar a equipa. Em condições normais, a nossa Seleção é melhor que a da Rússia. Com muito empenho e concentração, só temos que demonstrar essa superioridade dentro de campo.
Talento não nos faltará. Temos armas importantes como Cristiano Ronaldo, Nani, João Moutinho, Meireles, Fábio Coentrão e até o estreante André Martins, entre outros, executantes capazes e com qualidade mais do que suficiente para desenvolver um futebol rápido e fluído, que forneça com regularidade os homens da frente com qualidade e permita a criação de ocasiões de golo. Resta apenas saber qual o estado de forma da equipa neste final de temporada.
Um golo marcado cedo poderá fazer toda a diferença. Traria uma maior tranquilidade à equipa e um controlo mais eficaz da bola, algo que não aconteceu noutras partidas, onde a equipa nacional, por vezes, se viu na necessidade de partir em busca do prejuízo. Para isso, os primeiros 20 minutos podem ser determinantes. Uma entrada pressionante pode ajudar a desbloquear um jogo que se prevê complicado.
Ganhar também passa por defender bem. Privada do central Pepe, castigado, a Seleção terá de alinhar com uma dupla menos rotinada (Bruno Alves e Luís Neto, pelo que dizem os jornais) e tem a missão de tentar evitar os erros defensivos que se viram anteriormente. Há erros para corrigir e posicionamentos para melhorar. A média de um golo sofrido por jogo nesta fase, não se enquadra com uma equipa da dimensão e prestígio de Portugal.
A Rússia não pode ser subestimada. Em Moscovo, provámos o veneno do seu futebol frio e calculista, consolidada por uma defesa sólida e bem montada, por um meio campo trabalhador e um ataque com jogadores fortes no um para um e com grande capacidade de finalização. Fabio Capello incutiu uma forma de jogar mais pragmática nos russos e, como italiano que é, trouxe grandes melhorias ao processo defensivo da equipa. Não é por acaso que a Rússia ainda não sofreu qualquer golo nesta qualificação para o Mundial.
Levar o jogo a sério e não entrar em facilitismos. O rival é forte, mas não pode (nem deve) intimidar os internacionais lusos. Como dizia João Moutinho há dias, é impensável que Portugal falhe a presença no Mundial do Brasil. Temos qualidade para lá estar. As contas em cima do joelho são habituais. No entanto, só com as vitórias de Cristiano Ronaldo e companhia é que poderemos garantir um bilhete para o outro lado do Atlântico.
O Craque - Um leão para valorizar
Tiago Ilori precisou apenas de 12 jogos na equipa principal do Sporting para despertar a cobiça de vários emblemas europeus. É importante que o clube leonino consiga manter esta futura estrela, com imenso potencial e condições para valorizar muito no espaço de 2/3 anos. O ar reservado e franzino do defesa engana os mais distraídos. Com 1,90m, é um central muito rápido, forte na marcação, dono e senhor nas alturas. Dureza de rins não é com ele. O duelo que ganhou a Jackson Martínez em Alvalade foi exemplar e ficou na memória. Deixá-lo sair agora seria um erro desportivo e financeiro.
A Jogada - Muita qualidade em Vila do Conde
Num campeonato cheio de surpresas e revelações, a boa época e o 6.º lugar do Rio Ave acabaram por não ter o destaque merecido. O treinador Nuno Espírito Santo registou uma excelente estreia no banco e montou uma equipa positiva e ambiciosa, a praticar bom futebol. Foi uma equipa que venceu mais jogo fora do que em casa. Jogadores como Oblak, Marcelo, Edimar, Tarantini, Filipe Augusto, Ukra, Bebé e Hassan mostraram muito valor. A Liga Europa ficou por um triz e seria, tal como foi para o Estoril, um justo prémio.
A Dúvida - Manobras de diversão
Ao que parece, Sporting e FC Porto estão de costas voltadas. Um diferendo motivado por uma desagradável troca de palavras na imprensa, que se foi avolumando e nunca foi devidamente esclarecida entre as partes. É uma guerra desnecessária, mas fica a ideia que era desejada por Bruno de Carvalho. Criticar o rival do Norte dá-lhe palco nas televisões e jornais, e um aplauso generalizado dos adeptos. Ao mesmo tempo, desvia as atenções dos problemas do Sporting. O que ganha o Sporting com isto? E como irão fazer agora os clubes para tratar de assuntos que ainda têm pendentes?