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Três anos e seis clubes depois, Mário Jardel está de regresso ao futebol português. Só que agora não é para representar o FC Porto ou o Sporting. Nem tão pouco o Benfica, clube onde foi desejado e mais tarde rejeitado.
"Super Mário" voltou ao País para jogar no Beira-Mar, clube de dimensão mais modesta em relação ao que estava habituado. Quem diria… Mas, após as fugazes passagens por Bolton, Ancona, Palmeiras, Newell’s Old Boys, Alavés e Goiás seria difícil o brasileiro conseguir colocação num conjunto de maior nomeada.
Confiante, como sempre, Jardel prometeu, na sua chegada a Aveiro, tudo fazer para ajudar o Beira-Mar. Gosto do discurso optimista, da mesma forma que aprecio a aposta do clube, bem como a do técnico Augusto Inácio que, evidentemente, sabe como poucos o que o verdadeiro Mário Jardel pode fazer dentro da grande área adversária.
O problema, no meio de tudo isto, é saber qual a capacidade de resposta do dianteiro. E não falo, claro está, em falta de talento. Marcar golos, mesmo estando longe de ser um primor técnico, nunca foi um problema para ele. Aliás, é difícil encontrar um “ponta de lança” brasileiro com as suas características: cabeceador inato sem a facilidade de execução de um Ronaldo; a força de um Adriano; o virtuosismo de um Romário ou o oportunismo de um Bebeto. Jardel sempre foi sinónimo de golos, independentemente de serem obtidos quase sem querer, em cima da linha de golo, com a complacência dos defesas contrários ou através da marca de grande penalidade. Um golo é apenas e só um golo. E Jardel sempre assinou muitos.
As dúvidas que tenho dizem respeito à postura extra-futebol do goleador. Todos sabemos que o futebolista passou por situações complicadas nos últimos anos. Não vale a pena ignorá-las ou dizer que tudo não passou de invenção dos jornais. Jardel “pisou mesmo a bola”. Resta saber se agora está em condições de voltar a colocá-la nas redes.
Com uma boa pré-temporada (até porque parece pesado) e sentindo o apoio de companheiros, técnicos, dirigentes e adeptos, Jardel pode voltar a ser um jogador competitivo. Mas, convém não se esquecer que o seu grande obstáculo é ele próprio. E que esta deve ser, aos 32 anos, a derradeira oportunidade para voltar a ser aquilo que a sua cabeça (que tantos golos já fez) impediu que tivesse sido nos últimos tempos… um goleador de excepção!