A recandidatura de Luís Flipe Vieira à presidência do Benfica é o desfecho natural de um processo que nunca contemplou outro destino. Vieira congrega apoios de vários lados (as próximas eleições ficarão para a história como uma das mais pacíficas da vida dos encarnados), que resultam do bom trabalho que tem feito, e encara esse movimento com uma responsabilidade acrescida, tendo na rectaguarda a confiança da banca.
Vieira criou com os sócios e simpatizantes do Benfica uma empatia, em que os deslizes foram sendo perdoados e as ameaças de ir embora (ora com os kits ora com as notícias sobre o envolvimento no Apito Dourada ou irregularidades na transferência de Mantorras) não passavam de fogo de vista.
Vieira sabia que estava para continuar e foi jogando ao longo destes anos com as melhores peças, "intimidando" os adversários internos e externos e criando um grupo sem fugas de informação.
É indiscutível que tem feito um bom trabalho à frente do Benfica (algumas vezes com opções arriscadas como, por exemplo, a escolha de Fernando Santos), e esse mérito é-lhe reconhecido um pouco por todo o lado, mas dispensava-se esse bluff, porque a Vieira nunca faltou a força (e a vontade) para continuar no cargo.