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Ontem vimos uma equipa portuguesa com um rendimento mais próximo do seu verdadeiro nível. Infelizmente, a entrada no Mundial com a Alemanha acabou por condicionar toda a prestação na prova e a vitória sobre o Gana pouco valeu. Faltou-nos mais dinâmica e intensidade, alguma sorte e melhor disponibilidade física dos jogadores para podermos estar neste momento a celebrar o apuramento para os oitavos-de-final.
Olhando “a posteriori”, os quatro golos sofridos com a Alemanha acabaram por fragilizar muito as contas portuguesas. A partir daqui, tudo se desmoronou e a equipa não conseguiu ultrapassar vários contratempos. Além disso, a falta de força física e anímica impediu a Seleção de atingir o seu principal objetivo, que era a passagem da fase de grupos.
Sabendo da dificuldade matemática, por mais ínfima que fosse a possibilidade, todos esperávamos que Portugal conseguisse tornar o milagre possível, vencendo o Gana e recuperando uma desvantagem de cinco golos. Apenas parte da missão foi cumprida. Face às inúmeras oportunidades perdidas, que também aconteceram junto da nossa baliza, ficou a sensação de que seria possível marcar mais golos aos ganeses.
Portugal fez a sua melhor exibição no Brasil. Esteve mais rápido, agressivo e conseguiu trocar a bola com melhor fluidez, fazendo uma primeira parte de bom nível. Foi o seu melhor período no Mundial. Pena que não tenha rentabilizado o seu maior ascendente nesta fase com um maior número de golos, situação que poderia ter desmoralizado os ganeses e permitido a goleada que precisávamos.
As entradas de William Carvalho e Ruben Amorim no onze titular permitiram o equilíbrio do meio-campo e, por via disso, houve mais João Moutinho em campo e uma melhor ligação entre médios e avançados. A presença de William, que é um médio com um maior raio de cobertura que Miguel Veloso, libertou João Moutinho para uma boa exibição, sendo deste, por exemplo, a responsabilidade do lance que dá origem ao primeiro golo. Já William Carvalho trouxe segurança à equipa e mostrou que a sua capacidade de recuperação de bolas fez imensa falta nos jogos com Alemanha e EUA. Era a melhor solução para a posição de trinco.
Com um jogo mais dividido no segundo tempo, o ritmo português baixou e acabámos por ceder o empate. Com as duas equipas a sonharem ainda com o apuramento, as ocasiões de golo surgiram mas nenhum dos conjuntos conseguiu ter a eficácia e o esclarecimento necessários para serem decisivos. O golo de Cristiano Ronaldo, que assim conseguiu o incrível feito de marcar em seis fases finais consecutivas de Mundiais e Europeus, acaba por premiar o jogo mais conseguido dos portugueses.
Portugal está eliminado e, por muito que custe dizer isto como português, não merecemos mais do que isto. Devíamos ter tido um rendimento melhor nos três jogos e acordámos muito tarde para ir atrás do prejuízo. O estado físico dos jogadores, as limitações da equipa em termos de opções para alguns lugares e o rendimento futebolístico abaixo do exigível acabam por determinar o nosso afastamento.
Aestratégia portuguesa falhou. Está à vista de todos que o planeamento da prova não foi perfeito e que Paulo Bento, de forma consciente ou não (se o departamento médico lhe deu as devidas garantias, por que razão haveria de colocar isso em causa?), acabou por escolher um grupo de 23 atletas que não estavam na plenitude das suas forças para este desafio.
O CRAQUE
A inclusão de Marcos Rojo nos 23 eleitos da Argentina para este Mundial gerou desconfiança no seu país. A verdade é que o jogador do Sporting tem sido uma das figuras da sua seleção na competição, calando todas as críticas. A cumprir as tarefas defensivas com eficácia no lado esquerdo, sendo ele um central de raiz, o defesa leonino foi igualmente decisivo no ataque com o golo da vitória da sua equipa, sendo sempre um elemento perigoso em lances de bola parada pelo seu forte jogo aéreo. Está a valorizar-se.
A JOGADA
James Rodríguez está a ser uma das grandes estrelas do Mundial e a confirmar-se como um dos atuais melhores jogadores do planeta. O ex-portista está a confirmar todas as qualidades que exibiu nos relvados portugueses durante três anos e que auguravam um grande futuro. Com uma leitura de jogo ao nível dos melhores, o mágico colombiano é o maestro da sua seleção, com golos, assistências e uma leitura de jogo excelente. Talvez agora se perceba melhor o valor (superior ao de João Moutinho) da sua transferência para o Monaco...
A DÚVIDA
Portugal foi a última das 32 equipas a chegar ao Brasil, tendo por isso menos tempo para se adaptar às condições específicas do clima do país. Nos jogos com Alemanha e EUA, e segundo se comentou, a equipa portuguesa parece ter-se ressentido das altas temperaturas e dos níveis elevados de humidade. Com um maior tempo de habituação, a equipa já se apresentou mais solta e confortável na partida com o Gana. Teria sido diferente se o planeamento da prova tivesse previsto uma chegada mais cedo ao Brasil?