Um estádio BPN

Um estádio BPN

A Câmara Municipal de Leiria vai leiloar o seu estádio a partir de 22 de setembro. Preço de arranque da hasta pública: 63 milhões de euros. Destino a dar à receita: pagar dívidas. Entra por um ouvido da Câmara e sai pelo outro para a banca. Mas já agora, para que é que alguém quer um estádio? Para nada, ninguém quer o estádio. Só se for para demoli-lo. O que vale é a “terra”, o metro quadrado, o estádio é o que está a mais.

Este é um estádio do Euro’2004 que já em 2004 era um elefante branco, paralítico, inamovível, dispendioso. Não vale a pena bater muito mais no ceguinho, em José Sócrates, que foi o obreiro destes estádios e do projeto do campeonato europeu. A conta ficou para pagar pelos munícipes, até se chegar ao ponto em que a melhor solução é dinamitar aquela obra de arte.

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É importante perceber as condições em que a Câmara de Leiria se quer ver livre do estádio: em desespero. Está, pois, como o país: nas mãos dos bancos credores e a vender ativos para pagar as dívidas. Os 63 milhões de euros parecem aliás fruta a mais, até porque não há projetos de avaliação que sejam conhecidos. Mas há mais a ter em conta: quando um vendedor está aflito, o comprador fica com todo o poder negocial. Como aconteceu ainda recentemente com o BPN, que foi vendido ao BIC – e nas condições que o BIC quis e impôs.

Este negócio terá de ser feito em condições de transparência total. A Câmara que vende é a mesma Câmara que tem o poder de conceder licenças imobiliárias. E uma coisa não ser a outra face da moeda. Para mau negócio, já chegou o escandaloso disparate de construir o mamarracho sem utilidade nem audiência que foi aquele estádio que, como alguns dos outros, se converteu num símbolo da estupidez despesista que levou o país à ruína. Mas, claro, alguém ganhou com isso.

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