1 A não ser que os últimos dias do mercado de transferências subvertam por completo os dados existentes, o Benfica partirá para a nova época, que começa oficialmente já no próximo sábado com a discussão da Supertaça, com uma pequena vantagem sobre o FC Porto, o que, por ser raro, se torna merecedor de destaque. Há algum mérito dos encarnados e uma ínfima dose de culpa dos portistas para a construção deste cenário pouco visto. Na equipa de Jorge Jesus mantém-se o problema da falta de um lateral-esquerdo de raiz, mas a base é a mesma do ano passado, à qual se junta a recuperação de três unidades importantes: Carlos Martins, Enzo Pérez e Salvio. Nos dragões, as alterações também não são profundas mas os Jogos Olímpicos e a incerteza de entradas e saídas ditam um início de temporada a meio gás. O primeiro jogo oficial está à porta e Vítor Pereira, pelos motivos expostos, não conta com Danilo, Alex Sandro e, fundamentalmente, Alvaro Pereira (ao que tudo indica para sempre...) e Hulk, o melhor jogador da Liga.
2 Pelo percurso num passado recente e a necessidade de voltar tudo a começar do zero, o Sporting está naturalmente em desvantagem. Começam, todavia, a surgir os primeiros sinais de que há opções em demasia, o que não deixa de ser positivo e simultaneamente raro na história leonina deste século. Jogadores como Onyewu e Rinaudo, outrora tidos como intocáveis, parecem ter cada vez menos espaço no onze de Sá Pinto.
3 À margem de uma nova reconstrução do plantel está o caso da renovação de Adrien, jogador cuja evolução passou a ser assinalável quando deixou as funções de trinco para desempenhar o papel de número 8. Pelos dados existentes e pela forma eloquente como o advogado do médio expôs o caso, o Sporting já nada pode fazer. Como se costuma dizer nestes casos, “o jogador está calçado”, mesmo que os regulamentos da FIFA só lhe permitam assinar por novo clube em janeiro.
4 Os Jogos Olímpicos prosseguem com os protagonistas esperados. Michael Phelps, Usain Bolt e a equipa norte-americana de basquetebol masculino estiveram até agora, e como se esperava, nos pontos mais altos do evento. Em relação aos portugueses, pouco há a lamentar. Nelson Évora e Naide Gomes não puderam competir, Telma Monteiro e João Pina falharam e todos os outros, que não alimentavam expectativas tão elevadas, fizeram e estão a fazer o que é possível. Bom... uns mais e outros menos, como é natural e invariavelmente acontece. Para um país que acorda de quatro em quatro anos para este fenómeno, há, no entanto, uma lição a reter ou pelo menos a relembrar. O desporto português é isto ou, na melhor perspetiva, pouco mais do que isto. Cristiano Ronaldo e José Mourinho são as honrosas exceções e há que sentir orgulho neles. São o nosso principal cartão-de-visita no estrangeiro. Irónica e talvez paradoxalmente, acaba por ser pelo desporto que nos conhecem além-fronteiras. Desde Eusébio que assim é.