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Um monumento à irreverência

1. Sugere, de imediato, a imagem de rebeldia e atrevimento; concentra os sintomas de quem combate a rotina e não entende como a repressão sistemática pode servir de pedagogia para melhorar comportamentos sociais e desportivos. Apesar da intimidação que provoca aos arautos da disciplina, da uniformização e do castigo, há em Cristiano Ronaldo uma genuinidade que o torna inocente de todas as acusações.

Quando se estreou pelo Sporting, frente ao PSG, em vez de dizer que era o dia mais feliz da vida, que o sr. Bölöni era como um pai e jogar ao lado dos ídolos ainda lhe parecia um sonho, preferiu espantar-se com a surpresa dos outros: "Os sócios ainda não viram o verdadeiro Ronaldo, isto é só o começo."

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Com insolência transgrediu os manuais de etiqueta, com desassombro disse o que sentia. Dupla vantagem: não foi hipócrita e tinha razão.

2. Cristiano Ronaldo é, todo ele, um monumento à irreverência. O seu habitat é todo o espaço da linha de meio campo para a frente; sendo uma figura que desestabiliza só por presença, quando entra em contacto com a bola, esteja onde estiver, faz disparar todos os alarmes de segurança.

É um jogador explosivo na aproximação à baliza mas frio nas decisões; que progride por ser rápido e forte (fisicamente é um fenómeno) e porque depois se serve da imaginação para dar sentido aos bailados bruscos mas sempre harmoniosos - o drible tem saída para os todos os lados, o passe pode ser curto ou longo, o raciocínio é sempre rápido.

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À medida que se aproxima da área, o espaço diminui e os inimigos vão perdendo o pudor; é então que revela a habilidade para se desviar, sem perder de vista o objectivo - o cruzamento quando vai pelos flancos, o remate se o deixam entrar pelo meio.

3. Porque a insubordinação fora do campo lá dentro se transforma em valentia; porque o talento só atinge a plenitude se for acompanhado de paixão, coragem e uma brisa de loucura que a idade acabará por moderar ou até extinguir, Cristiano Ronaldo já tem lugar na história do futebol: nunca um jovem de 18 anos valeu tanto dinheiro - 15 milhões de euros.

Para dar seguimento à história precisa agora de racionalizar a exuberância e aproveitar o tempo de modo a acrescentar ao disco rígido os valores adultos da maturidade, da experiência e do equilíbrio. Precisa ainda de consolidar a relação com o golo, sem perder de vista o princípio, tantas vezes esquecido, de que o futebol é um jogo de equipa.

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4. Se não desperdiçar os recursos técnicos e físicos de que dispõe; se agregar à sua dimensão futebolística os êxitos que o Manchester United tem para lhe oferecer; se interpretar a admiração exterior como estímulo à confiança, à motivação e ao perfeccionismo, o limite para Cristiano Ronaldo é o patamar restrito das figuras eternas.

Porque está nas mãos de um mestre (Sir Alex Ferguson) que ensina, responsabiliza e não danifica o prazer de jogar; porque em Inglaterra o futebol é menos bruto do que em Espanha e mais livre do que em Itália, estão reunidas as condições envolventes para crescer e cumprir o destino grandioso.

Enquanto a dúvida permanece, não é má ideia reservar-lhe lugar no retrato de família dos melhores futebolistas portugueses de todos os tempos. Um assunto sobre o qual só falta saber o que o próprio Ronaldo terá para nos dizer.

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Uma geração liderada por Pavel Nedved

São uma espécie de alma gémea de Portugal: jogadores espalhados pelas melhores equipas da Europa; um pequeno país com aparições fugazes ao mais alto nível do futebol; uma selecção que encara o Euro-2004 como nova hipótese para atingir a glória internacional.

Pavel Nedved é a bandeira do ambicioso projecto, que envolve gente como Poborsky, Smicer, Rosicky, Koller, Baros e Galasek. Um exército que confirma a existência de mais gerações de ouro espalhadas pelo Mundo.

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Obrigado 'Mister'

No regresso a Matosinhos, agora ao serviço do V. Setúbal, os leixonenses fizeram justiça a Carlos Carvalhal. Levantaram-se e aplaudiram-no prolongadamente, forma de dizer obrigado a quem deixou um rasto de simpatia e competência. Os adeptos são, por norma, os fiéis depositários da memória dos clubes.

Perto do manicómio

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Que o Milan tenha passado meses a ver se Rivaldo tomava a iniciativa de sair é uma parvoíce legítima, Que depois de o conseguir admita voltar atrás é uma brincadeira de mau gosto. É o futebol a caminho do manicómio.

Já não chega a imparcialidade

Não sei se já mediram o clima doentio que os árbitros encontram nos estádios portugueses: os adeptos deixaram de reclamar a imparcialidade. Exigem, isso sim, que o juiz tome o partido das suas cores. Cuidado, senhores, que isto pode acabar mal.

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Comandar as tropas

Todos no Beira-Mar se deprimiram quando Ricardo Sousa saiu. Todos menos Juninho Petrolina, que em vez de chorar duplicou as funções e assumiu o comando das tropas. Como à sua frente lhe puseram um génio do drible (Kingsley) que complementa as diabruras, toda a magia passou a ser possível. Depois de terem esmagado o Paços de Ferreira, selaram a vitória em Braga. Bravo!

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