Opinião
António Magalhães

Um presidente que marcou a história

Morreu Jorge Gonçalves. A informação chegou já noite dentro ainda quase como um rumor mas rapidamente se confirmou. O antigo presidente do Sporting faleceu em Angola, de onde era natural e para onde se refugiou depois de um processo judicial que um livro do jornalista Manuel António (Embuste Leonino) editado em 2002 procurou esclarecer.

Ficou conhecido pelo Bigodes, por razões óbvias, e o curto mandato (não chegou a um ano) em que esteve na liderança do clube marcou-o de forma indelével. A ele e ao Sporting. No fim, pelas piores razões, mas no princípio a entrada em cena do desconhecido despachante alfandegário fez crescer uma enorme onda verde de euforia, depois de um jejum de títulos e de muitas frustrações.

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O aeroporto de Lisboa tornou-se, nesse ano de 1988, destino de romarias leoninas de quem queria ver com os seus próprios olhos as célebres unhas que Gonçalves contratava. Depois da operação Rijkaard, ainda antes de ser presidente do clube, o Bigodes trouxe craques como o guarda-redes uruguaio Rodriguez, os internacionais brasileiros Ricardo Rocha, Douglas, Silas e a promessa sueca Eskilsson. A alegria durou o tempo de um fósforo e Gonçalves caiu em desgraça.Primeiro no clube, depois na vida. Limpar a imagem de vigarista e trapaceiro passou a ser a sua luta.

Jorge Gonçalves viveu anos de amargura. Talvez nunca tenha superado essa tristeza. Encontrei-o em Luanda há 4 anos, conformado com o seu destino e grato por poder falar durante horas do seu Sporting. A sua morte é capaz de ser indiferente a muita gente, inclusive sportinguistas, mas a verdade é que marcou a história do clube. Que descanse em paz.

Por António Magalhães
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