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Um príncipe quase perfeito

1. Conhece a velocidade certa e as dificuldades de cada zona do campo; porque a dúvida é perigosa para quem vive a tomar decisões, aprendeu a pensar depressa e a escolher, por estudo e intuição, o melhor destino para cada movimento. Nos territórios militarizados do centro do terreno, naquele inferno em que a pressão sufoca as ideias, os espaços são cada vez mais raros e correr com a bola é um suicídio, Tiago impõe-se pelo domínio absoluto dos segredos colectivos do futebol. Por ser jogador da cabeça aos pés, alimenta o sentido comum onde é proibido correr riscos; por ser inteligente, sabe qual a diferença entre o passe para pé (que introduz a pausa) e para o espaço (que acelera a progressão); por ser generoso, nunca deixa companheiros em dificuldades. Para o fim guarda, como bónus precioso, o fulgor da aproximação à baliza.

2. Possui uma técnica cristalina, que sobrevive sem o adorno e abdica da superficialidade para ser eficaz; joga a um/dois toques mas também sabe guardar a bola e escondê-la com a firmeza de quem defende um tesouro. Enquadrado pela aparência despreocupada, é um explorador nos círculos onde o jogo se constrói e o conquistador com argumentos no local da definição; um moderador que oferece estabilidade ao colectivo e o arquitecto que dá geometria ao edifício. Por antecipar intenções alheias, intercepta linhas de passe; por ser um elemento de fácil inserção na comunidade, participa na esmagadora maioria das associações curtas que caracterizam a progressão; porque nunca se perde, percorre todos os caminhos em segurança, dá estilo ao bordado e leva soluções para o objectivo final.

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3.Tiago é uma trave do andaime que José Antonio Camacho construiu para autorizar a liberdade criativa. Porque domina o seu espaço e valoriza a arrumação da casa, garante equilíbrio à abrangência de Petit e harmoniza a sua dispersão; porque tem confiança nas decisões do parceiro, dá o passo seguinte e avança para auxiliar Zahovic nas acções de rotura. Por se movimentar a toda a largura do terreno e ser cuidadoso com a ocupação do espaço, apoia os envolvimentos nas faixas laterais, também como forma de fugir às marcações e chegar menos vigiado à grande área. Na zona de finalização acrescenta habilidade nas combinações com o ponta-de-lança, confirma aptidões no jogo aéreo e não dá confiança aos guarda-redes. É íntimo do golo, relação que alimenta com a frieza própria dos especialistas.

4. Diz Jorge Valdano que os jogadores se dividem em três escalões: os profissionais; os que amam a vida e cresceram sob o espectro da derrota social, e os que amam o futebol. Tiago pertence ao último grupo. É um exemplo de paixão serena, sentido de aventura e defesa dos códigos que o tornam comprometido com a história que está por detrás da camisola que enverga. Para ele, o futebol é uma questão de honra e um vínculo emocional com a infância feliz e o meio que o rodeia. Essa capacidade de sentir e a obrigação de fazer cada vez melhor são a garantia de insatisfação permanente. Nunca será um rei, porque não tem características para tanto; mas mesmo agora, enquanto procura maturidade e desenvolve o físico para ser ainda mais influente, já é o que outros de talento semelhante jamais serão: um príncipe quase perfeito.

Portugal, Espanha, Rússia e Grécia

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Portugal já conhece os adversários da fase final do Euro-2004 e, ao contrário do seleccionador nacional, para quem a palavra sorteio diz tudo, creio que o resultado fica a meio caminho entre a euforia das coisas boas e o receio das más: havia cenários piores (foi óptimo evitar a Itália e a Holanda), mas também havia melhores (Alemanha e Inglaterra parecem mais acessíveis que a Espanha). Rússia e Grécia completam um grupo do qual a selecção só pode sair para os quartos-de-final. Naturalmente.

O senhor que decide

Ricardo Sousa apontou o golo 7 na SuperLiga, mais do dobro do total conseguido pelo Boavista (13). Parecido, só Rodolfo Lima (Alverca), que tem precisamente metade dos golos da equipa (7 em 14). Duas grandes figuras.

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Resposta de mestre

Com o Gençlerbirligi, foi contagiado pela desinspiração e encontrou a fúria dos adeptos, que o escolheram como alvo da depressão colectiva - injustiça que viveu pela primeira vez em Alvalade. Com o Sp. Braga, João Pinto teve resposta de mestre. Jogou, marcou e, sem abrir a boca, exigiu um pedido formal de desculpas. Coisas de génios. Não se metam nisso.

Perigo de explosão

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Rochemback foi, durante três meses, a grande figura do futebol leonino, mas perdeu fulgor, influência e eficácia. Para os jogadores explosivos existe um risco tremendo: que as bombas rebentem nas suas próprias mãos. Eles vão pelos ares (lamento, mas é bem feito) e a equipa sofre duplamente (porque uma desgraça nunca vem só).

O capitão e o banco

Bilro voltou a marcar um grande golo. Feita a obra-prima, o lateral-direito mais consistente do campeonato dos últimos anos seguiu a rota habitual em Leiria: foi ao banco abraçar Vítor Pontes, prova de que a união resiste a tudo, até aos resultados menos bons.

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