Uma lição

Uma lição

A Alemanha deu uma lição no Mundial. Uma lição que não se circunscreve ao que se passou no Brasil. Há quem pense que o talento resolve tudo e que é, de facto, possível, a uma equipa mais fraca vencer sistematicamente. Não é assim. Quando se fazem as contas, há justiça e, até numa prova a eliminar, a probabilidade da melhor equipa ganhar é alta – foi assim há quatro anos com a Espanha e agora com a Alemanha.

Mas a melhor equipa não é necessariamente a que tem jogadores com mais talento. O futebol mudou muito e demasiado depressa. Pelo caminho, houve quem não fosse capaz de acompanhar o ritmo das mudanças. Uma equipa, hoje, precisa de se organizar para atacar e a forma como defende tem de ser coerente com o modo como ataca. Não é possível ter equipas que atacam com dois ou três jogadores para depois defenderem com os restantes. Ou há uma ideia partilhada do jogo a atacar e a defender ou a probabilidade de derrota é grande. A vitória germânica está aí para o demonstrar.

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O que vimos foi uma equipa com muita posse e muitos jogadores a participar no jogo, mas individualmente com cada jogador a reter pouco a bola. De tal forma que, no final dos jogos, tornou-se sempre difícil destacar o melhor em campo entre os alemães. A opção era clara: colocar o talento a trabalhar em favor da organização e da superioridade numérica em todas as fases do jogo (a atacar, mas, também, a defender).

Ficou, também, demonstrado que o sucesso de uma seleção depende da forma como aproveita o trabalho quotidiano dos clubes. Tende a vencer quem tem um núcleo duro de um clube e, claro está, tanto melhor se estivermos perante um clube com um treinador competente. Pelas minhas contas, Guardiola já ganhou dois Mundiais: com a Espanha do Barcelona e com a Alemanha do Bayern.

Com o Mundo todo a ver, a hecatombe do Brasil e, também, a de Portugal deixa uma lição. No futebol moderno, a probabilidade de vencer com treinadores que são, no essencial, motivadores (Scolari) ou disciplinadores (Paulo Bento) é baixa. Para vencer, não basta juntar onze jogadores talentosos, motivá-los ou potenciar o espírito de grupo. É preciso privilegiar a organização, pois só a organização faz sobressair o talento.

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