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Na sequência da redução do número de clubes do campeonato, o então presidente da Liga de Clubes, Hermínio Loureiro, decidiu avançar com a criação da Taça da Liga, uma nova competição que viria preencher os vazios do calendário futebolístico nacional, prometia trazer mais encaixes financeiros para os clubes e dar minutos de jogo a jogadores menos utilizados e a jovens da formação. Uma boa ideia que tinha tudo para ser bem-sucedida. Porém, ao longo do tempo, as assistências nos estádios entraram em queda livre e, de confusão em confusão, todos os pressupostos iniciais se têm esfumado.
Com a promessa de distribuir mais dinheiro por todos os clubes, o modelo competitivo criado para a prova foi e ainda é totalmente favorável aos três grandes, já que os regulamentos permitem que FC Porto, Benfica e Sporting, por norma as três equipas melhor classificadas do campeonato anterior, entrem mais tarde em prova e joguem mais vezes em casa.
Esta competição foi criada há sete anos e, na verdade, em vez de ser uma festa do futebol, tem dado que falar pela negativa. Por força de regulamentos nem sempre bem explícitos, pela fuga dos patrocinadores e incapacidade de atrair novos, pela falta de adeptos nos estádios e consequente desinteresse dos operadores televisivos nas transmissões (que pagam cada vez menos) e ainda pela falta de capacidade organizativa da Liga de Clubes, multiplicam-se as situações que contribuíram para o seu declínio.
Ocaso badalado da semana é exemplar quanto à confusão que as regras desta competição podem criar. Na época 2008/09, os jogos da 3.ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga decorreram em dias e horas diferentes. Mas como FC Porto, Sporting e Benfica (e V. Guimarães) se apuraram, ninguém se queixou. Hoje discutem-se 2 minutos e 45 segundos de atraso, pedindo-se a exclusão do FC Porto da prova, sendo que em 2009/10, Benfica e Sporting tiveram de pagar apenas 850 e 600 euros de multa, respetivamente, por terem precisamente chegado atrasados a uma partida desta competição.
Este tipo de situações podia ser facilmente evitável pelo organizador da prova, a Liga de Clubes. Se os jogos tinham de arrancar à mesma hora, com a tecnologia existente, os delegados da Liga tinham condições de fazer com que isso acontecesse no início e depois do intervalo. Se não o fizeram, só a incompetência justifica tal coisa. Culpar um clube por isso é que parece ser um argumento sem sentido e difícil de provar.
Por sua vez, a violação de regras foi bem mais evidente no Benfica-Gil Vicente. Dada a impossibilidade de se realizar o jogo no Estádio da Luz, por falta de condições do terreno de jogo, dizem os regulamentos que a partida se deveria efetuar em casa do adversário, ou seja, em Barcelos. No entanto, o jogo foi marcado para... o Restelo, sem que o Gil Vicente fosse consultado. Situações destas (quando o jogo servia apenas para cumprir calendário) só contribuem para descredibilizar a prova.
Numa altura em que se aproximam mudanças nos escalões do futebol profissional, com a 1.ª Liga a alargar para 18 equipas e a 2.ª Liga a ter 24 emblemas, seria um bom momento para reformular a Taça da Liga e criar um modelo mais interessante. Começa a não haver paciência para tantos casos e polémicas sem sentido. A competição merecia mais dignidade, com um modelo competitivo justo para todos, regulamentos bem definidos e bons jogos. É isto que se pede aos responsáveis da Liga, clubes e Federação. Que todos contribuam para a solução e não sejam um problema.
O CRAQUE
Um Lucho de jogador
Da mesma forma que surpreendia os adversários com uma notável leitura de jogo e simplicidade de processos, a partida de Lucho González surgiu de forma inesperada. Este foi, sem dúvida, um dos melhores jogadores que pisou os relvados portugueses na última década. Pela sua postura, dentro e fora de campo, rapidamente se tornou um jogador apreciado pelos portugueses, inclusivamente adeptos de clubes rivais. El Comandante, um jogador talismã no Dragão (foi sempre campeão) vai deixar saudades. Os passes geométricos, a liderança e a alegria de jogar ficarão na nossa memória.
A JOGADA
A arbitragem portuguesa
Os três grandes são os clubes mais beneficiados pela arbitragem em Portugal. É um dado indesmentível. Mas também são os que mais se queixam. Mais do que refilar, muitas vezes sem razão, seria positivo que FC Porto, Benfica e Sporting colocassem as armas de lado e, por momentos, se unissem aos restantes clubes para encontrar soluções que pudessem ajudar a reduzir os erros de arbitragem. Seja com sorteios, nomeações, introdução de novas tecnologias ou pela profissionalização, entre outras medidas, o importante é que todos os agentes do futebol possam contribuir.
A DÚVIDA
Black Friday
Esta sexta-feira promete ser muito movimentada em termos de transferências. Os clubes vão arrumar a casa até ao último minuto e uma oportunidade de negócio poderá aparecer a qualquer momento. No FC Porto, Mangala, Fernando e Otamendi são nomes que agitam o mercado e a saída de algum deles poderá obrigar os dragões a procurar um substituto. O mesmo se passa no Benfica, com Rodrigo, Garay e André Gomes a serem falados. Bons negócios em perspetiva ou, até porque é sexta-feira, serão saldos de uma “Black Friday”, para compensar perdas financeiras?