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Unidos na decisão

Unidos na decisão

Hoje é dia de jogo decisivo para Portugal no Estádio da Luz. Em circunstâncias de normalidade social, a Luz rebentaria pelas costuras com o apoio de adeptos que em toda a década passada descobriram o prazer de puxar pela Seleção. Adeptos jovens e menos jovens, rapazes, raparigas – um público eclético onde até famílias inteiras cabem. Enfim, um público como o futebol merece ter. E terá, depois de ser arrancado a este estado de guerra movido pelas claques profissionais dos grandes clubes. Depois de passada a crise.

Hoje é um dia especial. Hoje, pelas nove da noite, Portugal canta o hino e pode esquecer por momentos esta recessão, a depressão, a míngua ditada por mercados voláteis, opacos. Fantasmas alados que destroem milhões de vidas e sonhos enquanto regurgitam para os amos os lucros pornográficos da safra do dia – já não sei se o ataque às dívidas soberanas tem solução nos bancos centrais. Ou talvez na NATO.

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Mas hoje vamos por momentos esquecer este imenso drama.

Portugal é melhor equipa do que a Bósnia – indiscutível. Porém, as teorias só se provam em campo. Paulo Bento não irá privilegiar o espetáculo. Está-lhe no sangue a ânsia de equilíbrio, para mais num jogo destes, em que um golo contrário é chuva de granizo com altura de um metro. Aos adeptos que vão ao estádio pede-se festa e confiança. Paciência. Esta guerra, metafórica e bondosa, ganha-se no final. Basta um golo.

Claro que se o golo português chegar cedo, podemos até assistir a um festival de bom futebol. Mas se o golo não chegar, é preciso que o público se mantenha unido e que os jogadores mereçam essa união pela entrega e querer. Só assim poderemos não falhar o próximo Europeu. Só assim podemos merecer a sorte.

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