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Contra factos não há argumentos. Os clubes portugueses, mesmo os chamados grandes, não têm dinheiro para segurar nas suas fileiras as estrelas que formam ou descobrem. Sempre foi assim; sempre assim será. Portugal, por muito que isso nos custe admitir, jamais poderá fazer frente às investidas dos emblemas sediados em nações economicamente mais fortes. Itália já foi o “bicho papão”. Agora, o assédio irresistível chega também de Espanha, França, Alemanha ou Inglaterra. E, de tempos a tempos, até de países como a Rússia ou Roménia que, há meia dúzia de anos, apenas eram fornecedores de mercados mais fortes. E isto já para não falar das extravagâncias orientais ou norte-americanas.
Nani e Anderson estão de malas aviadas. Para desespero dos adeptos sportinguistas e portistas, mas também de todos os que gostam do desporto rei. Ver sair da Liga dois dos seus executantes mais espectaculares não é, decididamente, uma grande notícia para quem acompanha de perto o futebol nacional. E tendo em conta que as movimentações no mercado internacional estão apenas no início, não custa prever que mais algumas figuras proeminentes possam estar a dias de partir para outras paragens. Quaresma, Simão, Pepe, Luisão, João Moutinho ou Lucho González, por exemplo, são jogadores que despertam o interesse de clubes de nomeada. E, como é evidente, já deu para perceber que os dirigentes nacionais não resistem à tentação dos milhões. Por muito que queiram, não é possível.
Nas Antas e em Alvalade, nem a garantia da entrada de importante verba referente à participação na Liga dos Campeões chega para fazer frente às dificuldades de tesouraria. A solução, claro, passa por vender, seja directa ou indirectamente (através das famosas cláusulas de rescisão). E, na Luz, mais tarde ou mais cedo, Luís Filipe Vieira terá de fazer o mesmo. É que as contas não se equilibram apenas com as transferências de jogadores como Ricardo Rocha, quanto mais com Manducas ou Betos. É verdade que o líder encarnado tem lutado estoicamente para não deixar sair algumas das peças fulcrais do plantel, mas ceder é uma questão de tempo, pois os milagres contabilísticos são cada vez menores. Ninguém inventa dinheiro. E como já disse... contra factos não há argumentos.
Ao recrutar Nani e Anderson, o Manchester United volta a “pescar” em Portugal. E com autêntico “olho clínico”. Para além de beneficiar do facto de “nadar” em dinheiro, o clube inglês mostra que sabe tirar o devido proveito de contar entre os seus responsáveis com Carlos Queirós. Não é por estar em Inglaterra que o técnico perdeu o contacto com a realidade do futebol nacional. Ele sabe muito bem quem são os jogadores que podem interessar a um colosso como o United. E, atenção, o homem que revolucionou a formação em Portugal sempre teve “faro” para juventude talentosa. Ferguson faz bem em dar-lhe ouvidos. De certeza que não se arrependerá...
Estas contratações relâmpago não devem ter agradado é a José Mourinho. O treinador do Chelsea já percebeu que cada vez vai ser mais difícil bater o pé aos homens de Manchester que, de repente, ficaram “apenas” com 4 dos melhores jovens futebolistas do planeta. Nani, Anderson, Ronaldo e Rooney podem liderar a equipa mais espectacular da próxima década. Para que as dores de cabeça de Mourinho não sejam maiores, Abramovich terá de voltar a pegar no livro de cheques. Os londrinos precisam de vários reforços de qualidade e de assegurar a permanência de Terry e Lampard, por exemplo.
Independentemente do que se passar por cá, na próxima temporada não podemos perder pitada dos duelos em Inglaterra. A "coisa" promete ser escaldante e para muitos portugueses o seu segundo clube será o United ou o Chelsea...