Mais do que um vencedor, o clássico de amanhã terá um derrotado. Tanto para Benfica como FC Porto, está em jogo muito mais do que um título; o que está em causa é a afirmação de um projeto e a conquista da supremacia no futebol português. Não só nesta temporada, mas também num contexto de médio prazo.
Para os encarnados, o bicampeonato é fundamental para confirmar a tendência de viragem do poder no futebol nacional verificada nos últimos anos, a partir do momento em que Luís Filipe Vieira estabilizou o clube com Jorge Jesus a treinador. Os portistas dominam desde que Pinto da Costa é presidente, em especial nas décadas de 1990 e 2000, pelo que o Benfica precisa desta demonstração de força, que não é vista desde a primeira passagem de Eriksson pela Luz, para reassumir o estatuto de maior clube português. Além disso, as águias não se podem dar ao luxo de voltarem a perder um campeonato que lideram há muito tempo e ao qual tiveram oportunidade de dar o golpe decisivo, quando se deslocaram a Paços de Ferreira e perderam o jogo e a hipótese de ficar com nove pontos de avanço logo no início da segunda volta.
Do lado do FC Porto, não vencer na Luz e deixar o título nas mãos do grande rival significa mais de dois anos de seca, uma perfeita anormalidade na vida dos portistas com Pinto da Costa - o último troféu foi a Supertaça no início da temporada passada. Além disso, significará também que a forte aposta para esta época, com estrelas pagas a peso de ouro de forma a impedir o crescimento do maior rival, acabou por fracassar. Para o ano, não haverá Danilo, nem Casemiro, nem Óliver Torres e dificilmente haverá Jackson Martínez, pelo que dificilmente se pode olhar para 2014/15 como o ano zero do início de um projeto a médio/longo prazo e o FC Porto, com ou sem Lopetegui, será obrigado a reinventar-se de novo.
É, por tudo isto, um clássico decisivo e não apenas na luta por um título. Amanhã, no Estádio da Luz, quem sair vencedor poderá estar a escrever o início de uma era no futebol português. Quem perder, saberá que passou ao lado de uma oportunidade para entrar na história e, pior do que isso, deu um passo atrás.
Por Sérgio Krithinas