Como disse Paulo Portas, o que tem de ser tem muita força. As vendas de jogadores pelo Benfica e pelo Porto têm de ser porque a quebra de receitas tem muita força. E o êxito do Sporting não os ajuda nada: fica claro que não é por haver muitos milhões que se ganha.
Sempre que alguém diz que os passivos do Benfica e do Porto são elevados, os seus dirigentes passam atestados de estupidez aos críticos e dizem que o passivo é grande mas o ativo também, pelo que se trata de uma falsa questão. Na prática, isso quer dizer que nenhuma empresa tem problemas com dívidas desde que, se for necessário vender “tudo” o que tem, possa pagar “tudo” o que deve. Isso é verdade. Mas é só meia-verdade. Primeiro, porque é preciso que os jogadores (o ativo) valham mesmo o que está registado nas contas. Segundo, porque além desse critério há outro: a empresa tem de libertar resultados em valor suficiente para que consiga pagar as suas dívidas, incluindo juros. O caso do Sporting, sabemo-lo, foi extremo, quando há cerca de um ano tinha não só um passivo maior que o ativo, mas não tinha dinheiro em caixa que bastasse para pagar o que devia.
Benfica e Porto têm hoje uma “operação” de maior risco, pois têm um passivo grande, que alimenta um orçamento de futebol só possível de satisfazer com bons resultados na Champions. Não foi o caso este ano. E portanto não há remédio, a não ser vender jogadores, o que felizmente têm conseguido por valores quase sempre astronómicos. Isso significa que o ano, do ponto de vista de retorno do investimento, fracassou. O que farão os clubes sem os craques que agora vendem? Irá a equipa desequilibrar-se? É aqui que os resultados desportivos do Sporting embaraçam o Benfica e o Porto.
P.S.: Na última semana, Portugal assistiu a dois momentos épicos com glórias do futebol. Um foi a segunda Bola de Ouro, justíssima, de Cristiano Ronaldo, que se descadeirou em lágrimas, numa explosão de emoção que mostra que a “máquina” que Blatter parodiou é homem por fora e por dentro. O outro foi o minuto de silêncio no Estádio da Luz, arrepiante e inesquecível, e que benfiquistas e portistas respeitaram e enobreceram.