Chegaram os jogos decisivos. E nestes momentos em particular, os jogadores portugueses não costumam falhar. Depois de alguns tropeções na caminhada para o Mundial do Brasil, o objetivo da Seleção Nacional parece estar agora bem encaminhado. A conquista dos últimos seis pontos é imperativa para garantir um lugar no playoff, e quem sabe em algo mais…
Hoje à noite, Portugal defronta Israel sem João Pereira, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Raul Meireles, Vieirinha e Hélder Postiga. Esta situação vai obrigar Paulo Bento a fazer mudanças no onze habitual, mas estou em crer que as ausências não se farão sentir no desempenho da equipa e serão bem colmatadas pelos jogadores que vão ocupar os seus lugares.
O sector da defesa é aquele que motiva maior preocupação, já que Paulo Bento terá de reformular quase por inteiro o seu quarteto defensivo. Pepe é o único resistente e ficará com a missão de liderar os companheiros, com menor experiência nestas lides da Seleção, que vierem a jogar a seu lado.
O central Neto, habitual titular nos russos do Zenit, já deu provas da sua qualidade ao serviço da equipa das quinas. Por seu lado, os laterais Cédric e Antunes, a fazerem um excelente início de época em Alvalade e Málaga, respetivamente, dão garantias de qualidade. E há ainda que contar com a polivalência de André Almeida, Ricardo Costa e Sereno, capazes de dar total resposta às necessidades que Portugal venha a ter.
Com opções como Custódio, Ruben Micael, André Martins, Josué ou até Danny no meio-campo, a vaga deixada em aberto por Meireles não deverá ser um problema. Por seu lado, a ausência de Vieirinha abre portas ao regresso de Nani à titularidade. A jogar pouco em Inglaterra, seria bom que o extremo reconquistasse a confiança e o ritmo de outrora para voltar a ser uma referência importante nesta Seleção. Uma boa exibição pode ser o ponto de partida de que o jogador necessita para regressar à boa forma.
Estando Postiga castigado, a opção para ponta-de-lança deverá recair em Hugo Almeida ou Nelson Oliveira. Ambos estão a jogar bem e a marcar golos pelos seus clubes, pelo que qualquer um dos atletas está preparado para assumir a titularidade. Paulo Bento apenas terá de escolher entre a experiência e o poder físico de Hugo Almeida ou a irreverência e a maior capacidade técnica do Nelson Oliveira.
Felizmente, Portugal tem hoje um naipe de 25/30 jogadores que permite dar cobertura a eventuais ausências que possam surgir. Mérito para Paulo Bento que conseguiu formar um núcleo duro de jogadores, ao qual foi juntando e integrando novas soluções nos últimos três anos. Hoje, a Seleção tem mais por onde escolher do que quando Paulo Bento chegou ao cargo de selecionador. Esse trabalho de renovação era totalmente necessário e está a ser conseguido. E isto sem contar com uma nova fornada de jogadores de qualidade que está a surgir nos Sub-21 e que em breve poderá subir de patamar.
Portugal é melhor do que Israel e Luxemburgo. A jogar em casa, é ainda mais favorito. E sabendo que os seis pontos podem valer o apuramento direto, caso a Rússia escorregue, os índices de motivação dos atletas portugueses só podem estar no máximo. Ainda para mais, jogamos melhor quando há a pressão de vencer. Com ou sem playoff, temos condições para acreditar na presença no Mundial’2014.
O CRAQUE
Muralha defensiva
Surpreendentemente, o Southampton surge à 7.ª jornada com a defesa menos batida da liga inglesa. O conjunto britânico tem apenas 2 golos sofridos. Nesta equipa, brilha o português José Fonte, central que tem dado um forte contributo ao excelente rendimento da equipa. Com passagens por Sporting e Benfica, em que nunca teve uma real oportunidade, o central vive o momento mais alto da carreira que já leva vários anos e centenas de jogos no exigente futebol inglês. Aos 29 anos, ainda vai a tempo de atingir novos desafios, entre eles a Seleção.
A JOGADA
Máquina de golos
A marca é impressionante. Nos últimos três anos, Cristiano Ronaldo marcou um total de 173 golos ao serviço do clube e da Seleção. Só em 2013, o internacional português já leva 50 tentos marcados e tem todas as possibilidades de bater a sua melhor marca de 63 golos num ano civil. No decorrer deste período, nenhum outro futebolista dos principais campeonatos europeus conseguiu superar a sua veia goleadora (Messi marcou 42 golos). Esperemos que continue a aumentar o seu pecúlio já nesta noite. Servirá o registo para ganhar a Bola de Ouro?
A DÚVIDA
Carlos Martins sem espaço
Proscrito no Benfica, em que não conta para Jorge Jesus e apenas se treina com a equipa B, Carlos Martins deixou de ser opção para Paulo Bento. Dado que voltar a jogar pelos encarnados parece estar fora de hipótese, o jogador terá forçosamente de mudar de ares para ainda aspirar a uma presença no Mundial’2014, caso Portugal garanta o apuramento. Sem jogar desde maio, Carlos Martins terá apenas 5 meses para recuperar o ritmo competitivo. Irá o jogador a tempo de convencer Paulo Bento ou já perdeu o passaporte para o Brasil?