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O empate caseiro do Sporting diante da União de Leiria apenas confirmou aquilo que há muito era óbvio mas que, por várias razões (nomeadamente a paragem da Liga e a garantia, atempada, da continuidade nas competições europeias), não tinha sido muito "batido": os leões atravessam enorme crise. De resultados e confiança. Pelo menos...
E em Alvalade, como em qualquer outro lugar, não existem contemplações. Os desfechos negativos começam por ser desvalorizados por causa da sorte e do azar; das más decisões dos árbitros; da má qualidade do relvado; pelo desgaste físico ou por outra razão qualquer. Mas, a partir de certo momento, as justificações, justas ou lançadas para cima da mesa apenas com o intuito de impedir a discussão do verdadeiramente importante, deixam de pegar. E aí chegados, sócios e simpatizantes "cortam a direito". Jogadores, técnicos e dirigentes são todos alvos fáceis de quem, semana após semana, procura alegrias e espectáculo e não tristeza e exibições sofridas.
Não precisamos de recuar muito para recordar um período em que Paulo Bento, se quisesse, conseguiria renovar contrato até à próxima década. Os dirigentes exibiam-no como uma aposta completamente ganha (pese o risco que acarretava) e os adeptos diziam que sim a todas as opções do treinador. Mas isso, rapidamente mudou. Foi só a bola deixar de entrar nas redes contrárias ou, em alternativa, a baliza leonina passar a ser violada com frequência inusitada.
Augusto Inácio, Laszlo Boloni e José Peseiro também foram verdadeiros ídolos em Alvalade, conseguindo resultados e prestações de excelência, mas num ápice passaram de bestiais a bestas. Hoje, são recordados com desdém por muitos que os vitoriaram. É assim o futebol. Pelo menos em Portugal. Ingrato e inconstante.
Paulo Bento não é hoje pior treinador que há um ano. Comete erros? Claro que sim! Mas, em Alvalade, não é o único. Não foi ele, certamente, quem deixou escapar Caneira ou Tello; quem assistiu impávido à venda de Ricardo ou quem definiu que o recrutamento da equipa seria feito com segundas figuras e não com reforços "a sério" que, em princípio, a venda de Nani deveria "patrocinar"
Carlos Freitas, que já foi herói quando, a meio de uma época, descobriu os reforços que colocaram fim a uma seca de 18 anos sem o título nacional passar por Alvalade, foi o primeiro a dar sinais de se sentir desprotegido. Paulo Bento, na conferência de imprensa após o empate com o "lanterna vermelha", também abriu a porta a uma eventual saída.
Surpreendentemente, Filipe Soares Franco perde tempo é a descobrir interpretações dúbias em normais declarações de alguém que, por coincidência, representa um clube gigantesco que, imagine-se, até chega a pagar a mais quando faz negócios com os leões. Só gostava de saber se Miguel Veloso também vai ter direito a reprimenda por afirmar que, para continuar de verde vestido, é preciso que o clube faça mais alguma coisa...