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Opinião
André Geraldes Presidente do Estrela da Amadora, SAD

Vermelho direto ao Cartão do Adepto

Assistimos, no último fim-de-semana, ao início dos campeonatos das competições profissionais da época 2021/2022, que muito nos alegrou a todos pelo regresso dos adeptos aos estádios de norte a sul deste país.

Voltámos a sentir, ainda de que forma reduzida e extremamente limitada, o calor humano que, sem sombra de dúvida, é o principal ativo desta indústria a que os ingleses no ano de 1863 chamaram football. Deste então, assistimos a um crescimento incomparável com qualquer outra modalidade, deste que é o desporto rei no mundo, mas essencialmente no velho continente.

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Ao longo dos anos, também verificámos várias introduções de novas regras nesta modalidade, que mais ou menos polémicas (a última das quais o VAR), sempre mantiveram os seus alicerces bem firmes: os adeptos.

No último ano e meio estivemos confinados, fruto de uma pandemia inesperada que mais parecia estarmos a viver o inferno. O que todos mais desejávamos era que o ópio do povo pudesse, tal como uma criança, com um passo de cada vez, voltar à sua normalidade. Chegámos ao dia em que tal foi possível e eis que assistimos, na retoma das competições profissionais da presente temporada, à execução de uma regra que só pode ter sido criada, por mera distração, ou quiçá, desconhecimento da realidade do que é o fenómeno do futebol: o cartão do adepto.

A lei recentemente implementada roça a ilegalidade, uma vez que coloca em causa a proteção de dados e a privacidade de cada um de nós, mas, mais grave do que isso, promove a criação de um preconceito direcionado a um determinado estilo de apoio dos adeptos às suas equipas. Assistimos, por exemplo, no Estádio José Alvalade, a uma autêntica ostracização àquilo que é o maior espetáculo do futebol: a não existência de grupos organizados de adeptos nos setores a que sempre nos habituámos a vê-los. Este talvez tenha sido o exemplo mais flagrante e visível, mas também em Moreira de Cónegos, não se sentiu o mesmo calor humano e vimos no Dragão um topo sul igualmente fragilizado.

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Esta luta não tem cores! Por todo o país, assistimos à impossibilidade de jovens estudantes universitários, profissionais de vários setores de atividade, desempregados, divorciados, casados, reformados, menores de 16 anos, entre outros, não apoiarem a sua equipa de uma forma enérgica. Faltaram as vozes entoadas em uníssono, o agitar das bandeiras afetas às suas cores e nem ouvimos o bater do tambor que dá ritmo aos cânticos daqueles que fazem milhares de quilómetros para apoiar os seus clubes.

Desta forma, se não dermos as mãos para dar um cartão vermelho direto ao Cartão do Adepto, o futebol transformar-se-á numa elitização, quando a sua essência é popular.

Face ao exposto, se por um lado, não podemos correr o risco de na reabertura do país afastar ainda mais os adeptos dos estádios, por outro, devemos promover a importância do debate sobre esta temática, sem medo de represálias.

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O regresso aos estádios não pode ser para alguns, tem de ser para todos.

Por André Geraldes
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