Vieira campeão

Vieira campeão

Não ouvi ainda quem dissesse que o Benfica não mereceu o que conquistou: ser campeão nacional. A apoteótica última semana na Luz pode terminar ou continuar depois do jogo com a Juventus, mas nem quando o quente for frio se poderá dizer que o Benfica não foi o melhor clube português da temporada 2013/14. E que o mérito de todos não resultou sobretudo da liderança de um: Luís Filipe Vieira. O ano é dele.

Chamem-lhe teimoso ou persistente, um visionário com razão ou um cego com sorte. Se não fosse Luís Filipe Vieira a aguentar Jorge Jesus quando tudo corria mal, tudo teria corrido pior. Depois do desaire do final da época passada e do mau início desta, o Benfica tinha tudo para correr mal. O presidente do clube estava isolado, mesmo dentro da sua direção, e cercado pela pressão dos jornais e de comentadores, mas aguentou o treinador e manteve os seus planos. Correu bem. Muito bem, mesmo. Se não fosse o mau arranque da época, talvez pudesse ter sido melhor.

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Melhor teria sido não ter saído da Champions, o que levou o Benfica a perder receitas potenciais e a vender jogadores (é impressionante como a saída da Matic não desequilibrou a equipa…). A equipa que derrotou na semana passada o Porto com menos um jogador, que selou o campeonato logo depois e que hoje enfrenta a Juve teria cabedal para uma carreira melhor do que teve na prova maior de clubes europeus.

É claro que Enzo Pérez fez uma temporada incrível, que Rodrigo foi melhor que nunca, que Jesus resgata a honra, mas Vieira acaba por ser o homem do ano, mesmo apesar de muitos méritos de outras equipas, como o Estoril e, claro, o Sporting, que já parecia estar com os pés prà cova. Bruno de Carvalho subiu a um pedestal e Pinto da Costa arrisca-se a ter caído do seu, num declínio que é normal num homem que sempre foi imbatível, mas que não pode ser o declínio do Porto, que vai ter de encontrar um meio normal de sucessão e evitar uma guerra de poder que apenas destruirá o legado. Enquanto isso, o ano é encarnado.

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