Vieira continua a perder

Dias depois de ver a quase entrada administrativa do Benfica na Liga dos Campeões transformar-se numa penosa derrota para com o rival FC Porto, Luís Filipe Vieira conheceu outra jornada arrasadora. A fuga de Cristián Rodríguez para o Dragão caiu que nem uma bomba nas hostes encarnadas. Em tempos, a deserção do uruguaio parecia irreversível mas, as recentes declarações do futebolista e dos responsáveis benfiquistas, apontavam para um acordo iminente. Pura ilusão!

Sem alaridos, Pinto da Costa resolveu protagonizar um dos seus tradicionais "raids". Mais do que adquirir um jogador de qualidade, o líder portista tratou de reforçar um plantel que, em princípio, deverá ver partir algumas das referências da época passada. E melhor que isso: provocou nova dor de cabeça ao ex-amigo que, enquanto continua sem comprar nenhuma estrela, ainda vê um dos ídolos dos adeptos mudar de ares. E logo para o Porto.

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Vieira já tem experiência no dirigismo desportivo, mas parece ainda não ter aprendido algumas questões básicas. Cada vez que aparece directamente ligado a uma aquisição, o presidente das águias não pode correr o risco de "sair mal na fotografia". Assim de repente, lembro-me do esforço que fez para assegurar Moretto (o que ele daria para ter perdido esse "duelo" para Pinto da Costa...), envolvendo-se numa triste novela. Mais recentemente, em Londres, saiu de "mãos a abanar" de uma reunião com Eriksson, com os portugueses a assistirem, via tv, a tudo.

É evidente que qualquer clube tem de ter várias soluções em carteira quando pretende ir às compras. E isso, naturalmente, implica falar com muitas pessoas e equacionar diversos cenários. Mas, só quando não existe margem para retrocessos é que o líder deve aparecer ou deixar que quem consigo trabalha faça circular que um acordo está para breve. O sucedido agora foi diferente. O Benfica anunciou a desistência de Rodríguez pouco tempo depois de dar o acordo quase como consumado. E fê-lo quando o extremo já estava contratado pelo FC Porto!

Passada a onda do Euro'2008, em Portugal está na altura de se começar a olhar para a próxima temporada. E na Luz, pese a habitual conversa optimista, não se vê nada que faça acreditar que vem aí uma temporada positiva. As entradas de Ruben Amorim, Yebda e Jorge Ribeiro não tornam mais forte uma equipa que perdeu Rui Costa e Rodríguez. E, sinceramente, custa-me acreditar que a grande melhoria suceda com a inclusão de Carlos Martins e Pongolle....

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PS - Rodríguez optou pelo FC Porto apenas e só por uma razão: vai ganhar mais dinheiro. Ninguém o deve criticar por isso. Mas, num meio que é muito mais negócio que desporto, o uruguaio podia ter evitado algumas declarações de ocasião. É que agora, para além de se saber que é profissional, também pode ser apelidado de mentiroso.

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