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Virados do avesso

Virados do avesso

A  época desportiva ainda mal terminou e o defeso já indicia que teremos semanas quentes pela frente, com muitas novidades e mudanças inesperadas. A começar pela dança de treinadores que confirma uma alteração de paradigma nos rivais da Segunda Circular. Não deixa de ser curioso constatar que os dois treinadores com sucesso desportivo (leia-se, conquista de títulos) na temporada agora finda, Jorge Jesus e Marco Silva, vão deixar os seus clubes. E se olharmos para o topo da classificação, onde as probabilidades de Braga, V. Guimarães e Belenenses trocarem de técnico são grandes, só mesmo Julen Lopetegui parece ter o lugar seguro para o próximo ano.

Comecemos por Marco Silva. Despedir por justa causa um treinador talentoso, que sempre foi exemplo de profissionalismo, que conquistou uma Taça de Portugal, que apenas foi batido em casa pelos ingleses do Chelsea, que qualificou o clube para o playoff da Liga dos Campeões e que até terminou o campeonato nacional com menos derrotas que o campeão, visto de fora, parece de todo injusto e pouco razoável. A direção do Sporting terá os seus motivos e o tempo dirá se teve ou não razão.

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Dentro de campo a equipa leonina conseguiu praticar bom futebol na maioria dos jogos, ressentindo-se apenas nas alturas em que teve de jogar duas vezes por semana, devido às competições europeias, e também às lesões de jogadores importantes. As dificuldades em estabelecer um quarteto defensivo estável, pela falta de um patrão de qualidade no centro, que apoiasse ao crescimento de jovens como Paulo Oliveira, Tobias Figueiredo ou Sarr, e que só apareceu em março com Ewerton, também não ajudaram na fase inicial da época.

Com menos recursos financeiros e um plantel inferior aos de Benfica e FC Porto, levar o Sporting à conquista do título, como era ambição do seu presidente, seria uma missão muito difícil para qualquer treinador. A fasquia colocada era alta, e é bom que o clube tenha esse desígnio, mas aquilo que Marco Silva conseguiu fazer em Alvalade, com poucos ovos para a omelete, deve ou deveria ser alvo de elogios.

Quanto a Jorge Jesus, já se sabia que este seria um ano de decisões. As necessidades de desinvestimento financeiro e maior aposta na formação do Benfica, indicavam uma mudança estratégica que poderia conflituar com os interesses do treinador. O salto para o estrangeiro sempre foi um sonho, mas um eventual convite do clube do coração, ainda mais com os valores de que se falam e promessa de construção de uma equipa forte, poderá ter motivado esta opção de Jesus pelo Sporting.

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A confirmar-se este cenário, os leões estão a passar uma mensagem clara de que vão apostar forte na próxima época e em simultâneo tentam, com esta contratação, enfraquecer o rival lisboeta. Só com a garantia de uma equipa mais equilibrada, capaz de ombrear com águias e dragões, é que Jorge Jesus optaria por se tornar treinador do Sporting.

No Benfica, o nome mais ventilado é o de Rui Vitória, um técnico que já passou pelo clube e que, pelo que fez ao longo da carreira nas equipas por onde passou, encaixa bem no perfil de treinador que valoriza jogadores provenientes dos escalões de formação. Seja quem for que vier para a Luz, terá sempre um enorme desafio e uma pesada herança pela frente, pelo que a aposta envolverá risco. Constituirá esta mudança de treinadores uma vantagem para o FC Porto? Ainda é cedo para o dizer. Mas as próximas semanas prometem desenvolvimentos interessantes no futebol nacional.

O CRAQUE

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O preço do sucesso

Goste-se ou não do estilo, o seu valor e talento são inegáveis. As suas equipas produzem um futebol ofensivo, com beleza estética, e os jogadores saem valorizados desportiva e financeiramente. Ao serviço do Benfica, Jorge Jesus revolucionou o futebol dos encarnados, elevou o patamar competitivo da equipa e juntou títulos ao palmarés do clube. A confirmarem-se as notícias e valores envolvidos na sua ida para Alvalade, irá tornar-se, sem rival por perto, o profissional de futebol mais bem pago em Portugal. É o preço do sucesso.

A JOGADA

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Nunca desistir

O Sporting venceu a Taça de Portugal de forma quase miraculosa. Houve demérito do Braga, que tinha a vitória na mão e não foi competente a aguentar a vantagem, mas também houve mérito na vontade e crer que os leões exibiram, com uma equipa reduzida a dez unidades, mantendo os índices de concentração em alta e uma força anímica capaz de encetar a reviravolta. É este o encanto do futebol, uma modalidade em que tudo pode mudar em poucos minutos. E é também uma lição: os jogos são mesmo para disputar até ao fim.

A DÚVIDA

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O que fazer com Carrillo?

André Carrillo foi o jogador que alinhou em mais jogos pelo Sporting na temporada que agora termina. Depois de anos em que parecia uma eterna promessa, o extremo peruano finalmente conseguiu afirmar-se de leão ao peito, ser decisivo em vários jogos e mostrar uma evolução muito interessante, num ano em que tinha a concorrência de jogadores como Nani, Capel e Carlos Mané. Com o contrato do jogador a expirar dentro de um ano, o Sporting terá neste dossiê um dilema para resolver. Renovar, manter o atleta até ao fim do contrato ou vendê-lo agora?

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