Vitória "à Scolari"

Portugal ganhou na Hungria e mantém-se na corrida por um lugar no Mundial. E como a Dinamarca não venceu na Albânia, o próximo duelo dos escandinavos - em casa com a Suécia - não pode ser disputado de ânimo leve. É que em caso de derrota, os dinamarqueses deixam (quase de certeza) escapar a qualificação directa para os suecos. Logo, ao contrário do que seria provável caso a Albânia não tivesse feito esta meia surpresa, não vamos ter "arranjo" no embate nórdico. Bem pelo contrário: será uma verdadeira final.

Por outras palavras, a jornada de quarta-feira foi, finalmente, simpática para Portugal. E só não foi perfeita porque, definitivamente, a Suécia parece estar protegida por tudo o que é santo ou afim. Depois de uma vitória, nos descontos, na Hungria, com um golo às três tabelas, agora até para derrubar a medíocre Malta foi preciso um autogolo a menos de 10 minutos do final...

PUB

Mas, sejamos realistas e pragmáticos: se a Suécia não ganhar na Dinamarca, Portugal ficará em excelente condição para assegurar a presença no "playoff". Batendo, em casa, Hungria e Malta, a equipa liderada por Carlos Queiroz só poderá ser ultrapassada pela Suécia na diferença de golos e isso, acrescente-se, é um cenário que somente se colocará caso os suecos pontuem em Copenhaga. Em caso de derrota... verão o Mundial pela tv.

Mesmo sabendo que, a priori, também ninguém acreditaria num nulo caseiro com a Albânia, é virtualmente impossível Portugal, sem margem para erro, não ganhar os dois compromissos que lhe restam. A Hungria, conforme observámos, é uma equipa fraquinha, sem capacidade para assumir o que quer que seja, enquanto os malteses não passam de um grupo de gente simpática que, por vezes, se reúne para tentar jogar futebol. O facto de ainda não terem conseguido marcar um único golo na fase de qualificação fala por si!

 

PUB

Estou francamente mais optimista. E nem o facto da decisão poder surgir através da diferença de golos me causa apreensão. Acredito que a Suécia, em casa, na última jornada, consiga marcar vários à Albânia, mas Portugal, na mesma altura, terá de estar num dia francamente desastrado para não superar, com um mínimo de 4-5 golos, Malta. E isso, se nada de anormal suceder, deve ser suficiente. A menos que os albaneses resolvam jogar "para nulos" na Suécia...

 

Mas, deixemos as contas. Na Hungria, Portugal deve ter realizado a pior exibição dos últimos tempos (na Albânia, recordo-me, também não foi grande coisa). Parece incrível como é que se consegue somar 3 pontos jogando tão pouco, quando dois "banhos de bola" com a Dinamarca só valeram... 1! O futebol, já se sabe, é mesmo assim.

PUB

Em Budapeste, a equipa de Queiroz ganhou "à Scolari", jogando q.b., mas sendo eficiente. Perante o actual cenário - e embora goste de ver a Selecção jogar bom futebol, como fez na primeira parte na Dinamarca - apreciei a mudança!. Agora, só faço votos para que se consiga um apuramento como o último sob a batuta do técnico brasileiro. Na altura, a qualificação foi conseguida sem uma só vitória diante dos concorrente directos. Por isso, mesmo sem ganhar a dinamarqueses e suecos (os húngaros, peço desculpa, só ainda fazem parte das contas por uma mera casualidade de calendário, pois ficaram com os jogos mais complicados para o final), espero que tudo acabe bem.

 

PS 1 - Algumas ideias soltas sobre o que se viu em Budapeste:

PUB

- Num jogo em que era obrigatório ganhar, abdicar de Simão de entrada para lançar Liedson pareceu-me pouco ou nada arrojado.

- Marcar cedo e depois entrar, automaticamente, em gestão da vantagem não pode, perante opositores nitidamente inferiores, ser prática regular. É certo que os húngaros não avançavam no terreno, mas ficar à mercê de um qualquer remate fortuito em vez de forçar o segundo golo e "matar" a partida... é brincar com o fogo.

 

PUB

- Sendo verdade que Portugal não conta há muito com nenhum verdadeiro "matador" (nem Pauleta, pese todos os golos, era capaz de colocar as defesas contrárias em sentido), também é evidente que a equipa sente dificuldades para envolver um elemento com as características de Liedson.

- Ronaldo está visivelmente longe da sua melhor forma. Voltou a exagerar no individualismo, perdeu um sem número de lances, desperdiçou boas oportunidades de golo e esteve sempre desejoso de reclamar com tudo e todos.

- Duda, sendo um jogador que entra muito bem nas acções ofensivas, continua a revelar problemas a defender. Desta vez, porém, a sua falta de rotina enquanto defensor acabou por não custar golos... nem pontos.

PUB

- Depois de uma longa "travessia do deserto", Tiago está de regresso aos bons velhos tempos. Capacidade técnica, rigor táctico e frescura física fazem com que seja, de momento, um elemento nuclear.

PS 2 - Para muitos portugueses, Queiroz é um treinador sem sorte. E se recordarmos o que tem acontecido na sua carreira - e também nesta fase de qualificação - a análise tem algum fundamento. Mas, ao lado do seu amigo José Peseiro, é um sortudo. A forma como a Arábia Saudita deixou de ter hipóteses de ir ao Mundial... não dá para acreditar.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB