Carlos Ribeiro
Carlos Ribeiro Professor Universitário

Que futebol estamos a vender?

Falamos cada vez mais sobre a valorização do futebol português, a centralização dos direitos televisivos, o aumento das receitas e a conquista de novos públicos. Mas que produto estamos, afinal, a vender? 

Estádios vazios, jogos adiados ou transferidos por falta de condições, equipas obrigadas a jogar fora de casa e, agora, mais uma polémica em torno da arbitragem, com suspeitas que voltam a colocar em causa a confiança dos adeptos. E isso é precisamente o contrário do que precisamos se queremos aproximar os adeptos, encher os estádios e valorizar a Liga. 

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A ideia de que o futebol se vende por si próprio, como se a sombra da transmissão, a bancada vazia, o relvado esburacado ou um árbitro sob pressão não importassem, é, no mínimo, peregrina. O futebol vende-se através da experiência, da confiança e da paixão de quem está nas bancadas. E essa confiança constrói-se com transparência, organização, boas condições e uma competição em que os adeptos sintam que tudo está a ser feito para proteger o jogo. Continuamos a anos-luz... 

Na vida terrena, há dérbi do concelho este fim de semana. Os resultados continuam a não aparecer, embora permaneça a ideia – esperemos que não seja ilusão – de que “falta um danoninho”. Continua a faltar o golo e, sobretudo, a eficácia. Mas há sinais. Às vezes, no futebol, falta apenas aquele momento que muda tudo.

Por Carlos Ribeiro
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