Carlos Ribeiro

Carlos Ribeiro Professor Universitário

A matriz do futuro

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Cinco golos depois, descobri que a vontade de acreditar estava apenas adormecida. Não foi uma exibição para guardar num museu, mas, depois de tanta escassez, até a abundância parece suspeita. Soube bem. Saberá melhor se tiver continuidade diante do Gil Vicente, num jogo que, pelo preço dos bilhetes, deve ser da Liga dos Campeões. 

Sexta-feira, porém, joga-se outra partida. Os sócios decidem sobre a transmissão de 17% da SAD à VSports e uma autorização para alterar o pacto social. Acredito no investimento externo. Mas antes de discutir percentagens, importa perceber o projeto: para onde queremos ir e quem nos ajuda a lá chegar? 

Na última crónica fui buscar os corais à Biologia. Insisto no vício, talvez na esperança de que algum aluno aprenda qualquer coisa a ler o Record. Um tecido não se forma apenas por juntar células: precisa de adesão e, em muitos casos, de uma matriz que lhes dê suporte. É essa matriz que ainda procuro no futuro do Vitória. Que ambição traz a VSports? Que compromissos assume? Porque não ouvimos diretamente do investidor a visão que tem para o clube?

 Mais do que esclarecimentos sobre a operação, gostaria de conhecer, pela voz do próprio investidor, a visão que tem para o Vitória. Não peço votos a favor ou contra. Peço participação e decisões conscientes, sem cheques em branco. Podemos discordar do caminho e querer o mesmo destino. O Vitória merece respostas à altura da sua história.

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