Foto-finish
Durante anos ouvimos dizer que no Vitória já se tinha visto de tudo. Afinal, faltava uma eleição daquelas que obrigam a recorrer ao foto-finish para encontrar o vencedor. Dois votos. Menos gente do que cabe num elevador para a bancada presidencial.
Há três crónicas escrevia que não é particularmente saudável um clube poder eleger um presidente com o apoio de uma minoria expressiva. O resultado confirmou a divisão, ainda que numa dimensão difícil de antecipar. Lamento que, depois de tantas comissões de revisão dos estatutos - pelo menos uma em cada uma das últimas três direções - nunca tenhamos encontrado espaço para discutir mecanismos simples que reforcem a representatividade e a estabilidade dos eleitos. Porque será ingénuo ignorar que cerca de dois terços dos votantes escolheram outras soluções.
Há outro sinal que merece reflexão. Com quatro listas e tanto debate sobre o futuro do clube, continuaram a ser demasiados os sócios que ficaram em casa. Um Vitória forte constrói-se também através da participação dos seus associados.
Ainda assim, nada diminui a legitimidade de Rui Rodrigues. Pelo contrário: aumenta a responsabilidade. Venceu e isso basta. Em democracia, ganha quem tem mais votos. Parabéns aos vencedores e aos vencidos. Agora é tempo de serenidade. As eleições acabaram. O Vitória continua.
Quando esta coluna regressar, haverá uma nova época para iniciar, um projeto para concretizar e uma liderança com a oportunidade de demonstrar que tem as soluções de que o clube precisa.
