Carlos Ribeiro

Carlos Ribeiro Professor Universitário

Manual de campanha

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As campanhas eleitorais no futebol parecem seguir um manual não escrito. Regra número um: nunca complicar. Regra número dois: repetir conceitos suficientemente vagos para que todos concordem. E assim desfilam os clássicos de sempre: apostar na formação, reforçar o scouting, profissionalizar a estrutura, investir nas infraestruturas, reestruturar a dívida, falar com o investidor, fazer mais com menos. Falta apenas “acreditar nos jovens” para fechar o capítulo introdutório. 

Quem já passou por uma campanha percebe rapidamente que tentar explicar cenários financeiros, riscos de gestão ou limites reais do clube raramente compensa. O detalhe transforma-se numa armadilha. Quem explica demasiado vira alvo fácil. Quem simplifica passa entre os pingos da chuva. O manual ensina isso cedo: prometer muito, comprometer pouco. 

As sessões de esclarecimento raramente esclarecem tanto quanto se imagina. Quase sempre compostas pelos mesmos, acompanhados das respetivas equipas, numa espécie de assembleia de convertidos. As entrevistas ainda revelam alguma coisa. Já os debates podem ser decisivos, não necessariamente pela qualidade das propostas, mas porque uma escorregadela, num cenário de dispersão de votos, pode mudar tudo. 

No caso do Vitória, louvando a coragem dos quatro candidatos e respetivas equipas para avançarem neste contexto - um clube financeiramente pressionado, compromissos imediatos para honrar e uma equipa para construir em cima da pré-época - é preciso mesmo alguém disposto a fugir do manual.

 

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