O dia da decisão
Quando aqui escrevi pela última vez, manifestava a esperança de ver os candidatos fugir ao habitual manual de campanha, esse documento invisível onde cabem promessas genéricas, consensos fáceis e soluções que parecem servir para qualquer eleição em qualquer clube. A verdade é que a campanha termina sem grandes sinais de rutura com esse modelo.
Curiosamente, não me lembro de encontrar tantos associados indecisos a poucos dias da votação. Talvez porque o contexto também seja tudo menos normal. Afinal, estamos perante eleições antecipadas por uma direção que assumiu o falhanço desportivo e financeiro, apenas um ano depois de ter sido eleita. Não é propriamente um detalhe.
Cabe agora aos sócios decidir. E importa reconhecer a coragem de quem se apresenta a sufrágio. A maioria fá-lo sem acesso à informação completa sobre os dossiers do clube e obrigada a navegar entre perceções, versões parcelares e a inevitável informação seletiva.
Da próxima direção não espero milagres. Espero apenas coerência. Que não se anuncie “mais Vitória” para depois entregar menos. Que as promessas de transparência e rigor não terminem na noite eleitoral. E, sobretudo, que as decisões sejam guiadas pela razão e não pela emoção, terreno onde o clube tem acumulado demasiados erros, com custos desportivos e financeiros bem conhecidos.
Que a participação seja forte e que o resultado permita devolver ao Vitória aquilo de que mais precisa neste momento: estabilidade. Que a competência e a sorte protejam os eleitos.
