O peso do zero
Há números que ocupam espaço no marcador e outros que começam a ocupar espaço na cabeça. O zero, quando permanece por tempo demais, deixa de ser apenas um resultado e transforma-se numa presença.
É por isso que as estatísticas das oportunidades, dos remates ou da posse explicam apenas uma parte da história. Podem dizer-nos quantas vezes uma equipa chegou perto do golo, mas não conseguem medir aquilo que acontece por dentro quando o golo continua a fugir.
E parece ser aí que está o momento atual do Vitória. Não apenas numa questão de eficácia, mas numa falta de confiança que se vai tornando coletiva. Como se cada minuto sem marcar acrescentasse algum peso às pernas e à cabeça.
O último encontro voltou a mostrar isso. A oportunidade que antes seria encarada com naturalidade começa a carregar a urgência de quem sabe que o relógio corre. E a urgência, no futebol, nem sempre é boa conselheira.
O desafio para os próximos jogos será precisamente quebrar esse círculo. Continuar a criar, continuar a procurar, continuar a acreditar. Porque só as oportunidades permitem que apareça o golo e, muitas vezes, só o golo devolve a confiança.
É aqui que a velha história do ketchup ganha alguma graça. Talvez seja isso que falta: aquele primeiro golo que desbloqueie, que tire o peso ao zero. E, depois, deixar o futebol fazer o resto.