O tamanho dos sonhos
Talvez nunca saibamos o que verdadeiramente imaginavam. O que pensariam se hoje olhassem para nós. Nem se algum dia conseguiremos cumprir aquilo que, naquele dia, na Chapelaria Macedo, ousaram sonhar.
Hoje, como ontem, são mais as dúvidas do que as certezas sobre aquilo em que nos tornámos. Mas há algo que permanece: o sentido de pertença, a identidade que gritamos ao mundo. No futebol, na cidade, na luta pela distinção mais importante, até ao último canto do mundo.
Todos temos as nossas histórias. As que contamos, as que ficaram por contar e as que guardamos na memória sem saber se aconteceram assim. Os duelos difíceis. A avó com a bolsa na cabeça, protegendo-se das pedradas. O choro depois de uma grande conquista. As viagens em família ou entre amigos. São 104 anos de uma história que continuamos a sentir aquém daquilo que acreditamos ser a nossa verdadeira dimensão.
Talvez sejamos do “tamanho dos nossos sonhos”. O problema começa quando deixamos de acreditar que os podemos tornar realidade. Talvez o maior inimigo seja o cansaço: quando nos cansamos de nós, dos outros, de acreditar.
Que esse dia esteja longe. Que continue “a haver estrada para andar”. E que sejamos mais capazes de construir pontes do que erguer obstáculos, menos presos ao supérfluo e conscientes de que é da diferença de opiniões que nascem a força e a capacidade de ir mais longe. Parabéns, Vitória.