Pensemos num clube em que um presidente é reeleito com 93% dos votos em março. Pensemos agora que, poucas semanas depois, esse mesmo clube falha por pouco a qualificação europeia e decide não corrigir, mas sim desmontar. Recomeçar quase do zero. Com um plantel que, à partida, parece mais curto, menos preparado, menos competitivo.
Pensemos também no caminho feito pelo banco. Um treinador sai, entra outro, sai esse também. Não há tempo, não há continuidade, não há ideia que resista.
Pensemos ainda no critério. Prometem-se eleições caso não se atinja o quinto lugar. Já não contam ciclos, contam classificações, reduzindo-se a estabilidade a metas pontuais E, no meio disto tudo, pensemos no mais estranho. Já há candidatos para eleições que não existem. Nem sabemos se vão existir.
Pensemos. Porque pensar, neste momento, parece ser precisamente o que tem faltado.
Quando devíamos estar focados na próxima época, estamos presos ao ruído. Adiam-se decisões, prolonga-se a indefinição, abre-se espaço à especulação.
Pensemos também no jogo. Cinco golos, uma vitória clara, ainda que frente a um adversário frágil. E, mesmo assim, quase passa ao lado. Quando o contexto é instável, até o positivo perde impacto. Segue-se o AVS. Em teoria, mais uma oportunidade para somar.
Pensemos, uma última vez. Num clube que tem tudo para estar acima da média, mas que continua a falhar no essencial: organização, clareza, direção. Não basta esperar.
É preciso, mesmo, pensar, Vitória.