João Braz Frade
João Braz Frade

Uma vitória anunciada

Na semana passada, passando os olhos pelas redes sociais com especial foco nos comentários de benfiquistas, para além dos temas habituais sempre que se aproximam eleições, sobretudo quando a performance desportiva não corre de acordo com as expectativas, sobressaía a curiosidade sobre a presença do nome de TONI na lista da candidatura de Pedro Proença a FPF. Entre muitos outros comentários, a pergunta mais frequente era, o que está o Toni a fazer ali?

Qualquer benfiquista percebe o sentido da pergunta. Pedro Proença enquanto árbitro não nos deixou boas recordações.

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Entretanto tornou-se público que também António Simões integra a Comissão de Honra de Pedro Proença.

Toni e Simões são duas referências incontornáveis da história do S L Benfica. Depois da partida de Eusébio, corro o risco de dizer, que Toni conseguiu criar uma ligação emocional incomparável com os sócios e com os benfiquistas em geral, que somada ao facto de ter sido 8 vezes campeão nacional como jogador, e mais duas vezes como treinador, para além das taças de Portugal que ganhou, fazem dele um dos nossos maiores de sempre! António Simões foi bicampeão europeu pelo Benfica, jogou com Eusébio e também acumula uma assinalável quantidade de títulos nacionais que ganhou no clube.

Tenho para mim que do benfiquismo destas duas figuras ninguém tem dúvidas. Eu certamente que não tenho. Vi jogar ambos, conheço-os há muitos anos, tenho por eles uma profunda admiração e um enorme respeito. Nem sempre temos as mesmas opiniões mas isso nunca afetou o respeito mutuo.

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No caso do apoio de ambos a Pedro Proença e de Toni integrar a Lista da candidatura como candidato a VOGAL da Direção da FPF, estamos de acordo.

Eu não tenho voto na matéria, mas se tivesse, votaria Pedro Proença nesta eleição. Sem hesitações. E por isso compreendo bem a decisão de Toni e de Antonio Simões.

A eleição para a FPF é efetuada através da votação dum colégio eleitoral constituído pelos representantes dos vários intervenientes no Futebol: Associações Regionais (pe: A F Porto, A F Lisboa, A F Algarve, etc…), Sindicatos (pe: jogadores), Associações Profissionais (pe: Treinadores, Árbitros, etc…), significa isto que é necessário todo um trabalho de preparação e negociação com muitas entidades de diferentes naturezas, trabalho que leva tempo e exige enorme capacidade negocial.

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Exige também candidatos bem preparados, conhecedores e experientes, na "indústria do futebol" e na capacidade de gestão.

Pedro Proença deixou de arbitrar em 2015. Desde esse ano que dirige a Liga Portugal. Tem sido reconhecidamente um bom gestor da Liga. Não sou eu que o digo, são os Presidentes dos clubes representados na Liga.

Em Portugal não é tarefa fácil representar os clubes de forma isenta e responsável. Se assim não fosse não teria sido reeleito. Conseguiu recuperar financeiramente a LIGA e transformá-la numa organização mais profissional e mais credível. Foi eleito para organizações internacionais, sendo atualmente Presidente da European Leagues e membro do Comité Executivo da UEFA.

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Mas nesta eleição, com todo o respeito pelo Dr. Nuno Lobo, julgo que Pedro Proença tem o currículo mais adequado e uma experiência de dirigismo desportivo mais relevante, e conseguiu, pelo que se lê nos media, agrupar em torno da sua candidatura e do seu projeto a maioria esmagadora das vontades. Tem ambição e novas ideias.

O que foi como árbitro, foi considerado pelos organismos internacionais o melhor do mundo, para aqui pouco releva. Na verdade, também não releva o facto de Pedro Proença nunca ter escondido que é sócio do Benfica (há mais de 50 anos). Porque o que se pede é que exerça as suas funções com equilíbrio, isenção, competência e ambição.

Não conheço quem nunca se tenha enganado, quem sempre acerte. Certamente que nem tudo correu como ele desejava, como ambicionava. A internacionalização da nossa Liga, a Centralização dos direitos desportivos são temas que continuarão na ordem do dia para quem os clubes escolherem para lhe suceder.

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Como benfiquista respeito quem não pensa como eu. Mas na conjuntura atual seria, na minha opinião, um erro tremendo prosseguir uma estratégia isolacionista. Esse tempo já passou. Sou dos que acreditam que é possível continuar a reforçar a estratégia de valorização da marca Benfica num quadro geral de reforço da valorização do futebol português.

Pedro Proença vai suceder a Presidência da FPF mais bem-sucedida de sempre no plano desportivo e da gestão. Só com uma Visão clara e motivadora, muita ambição e coragem para a implementar, conseguirá superar e acrescentar ao que foi feito e sobretudo credibilizar e reforçar o futebol português na sua afirmação global.

Sinceramente, não consigo pensar em ninguém no futebol português mais bem preparado para a função e concordo com a decisão do SLB (e julgo que da totalidade dos clubes da 1ª Liga) de apoiar Pedro Proença. Saber que estou ao lado de Toni e de António Simões é um motivo adicional de conforto.

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Por João Braz Frade
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